A taxa de emprego no setor do turismo da cidade do Porto aumentou cerca de 4% no primeiro trimestre deste ano, face ao mesmo período de 2014, mas cresce em parte à custa da precariedade e clandestinidade no trabalho.

O Porto e a sua área metropolitana registaram um aumento de 4,1% da taxa de emprego no setor do turismo no primeiro trimestre de 2015, em relação ao período homólogo de 2014, confirmou hoje à agência Lusa o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira.

“Comparativamente com 2014, o resultado do primeiro trimestre dá-nos uma taxa de crescimento do emprego no setor do turismo de 4,1%, um valor da taxa de crescimento “ fantástico”, classificou Melchior Moreira, sublinhando que se trata de uma nota “muito relevante” e que lhe deixa “alento” e “boas perspetivas para 2015 e 2016.


O emprego está, no entanto, a crescer de mãos dadas com a clandestinidade e com precariedade, denunciou em entrevista à Lusa o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores de Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte.

“Há um aumento de facto de emprego no setor da hotelaria e da restauração” no Porto, contudo, “esse emprego é muito precário”, com muito “trabalho não declarado”, “clandestino”, “ilegal”, sem descontos para a Segurança Social” e “com condições muito difíceis”, conta Francisco Figueiredo, alertando que não é possível “haver qualidade de serviço sem profissionais bem qualificados e estruturas de apoio ao setor”.


O sindicalista recorda que a taxa de ocupação dos hotéis do Porto tem suplantado a nacional, que 2013 foi o “melhor ano turístico de sempre”, que o de 2014 foi “ainda melhor” e que todos os dados apontam para que 2015 vá ser ainda melhor.

Francisco Figueiredo observa, todavia que os responsáveis pelo setor do turismo na cidade e na região têm de “valorizar o trabalho e a qualidade” e apostar na “formação profissional”, algo que “não está a ser feito”, diz.

“Não temos estruturas para um aumento tão excecional de turistas e não se veem tomar nenhumas medidas nesse sentido. Parece-me que há aqui uma falha enorme”, considera o sindicalista, reiterando que o setor está a crescer “à custa da precariedade do trabalho” e apelando às autoridades para atuar de “acordo com as suas competências contra a situação”.


O crescimento de emprego no setor turístico no Porto pode passar pelo registo do aumento de restaurantes e alojamentos na cidade.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que entre janeiro de 2010 e abril de 2015 foram constituídos “727 restaurantes e similares” na cidade do Porto e que foram dissolvidos no mesmo período de tempo “535 restaurantes e similares”, ou seja, há pelo menos mais 192 restaurantes na cidade de há cinco anos até agora.

O INE indica também que abriram 180 alojamentos na cidade do Porto entre janeiro de 2010 e abril de 2015, tendo encerrado 39.

O mês em que foram constituídos mais restaurantes e similares no Porto foi março de 2014 (28), logo seguido de abril de 2015 (26). Já julho de 2013 foi o que registou mais dissoluções de restaurantes (52), seguido de novembro de 2011 (41).

O crescimento da taxa de emprego no turismo ainda não é homogéneo em toda a região do norte de Portugal, verificando-se claramente um crescimento acentuado no Porto e na área metropolitana do Porto, onde há uma oferta mais acentuada, explica o presidente do TPNP, referindo que se vê esse crescimento “noutras franjas” do país, como em Trás-os-Montes ou no Minho, com um crescimento na ordem dos 0,5%.

“É o primeiro dado de crescimento no setor do turismo em termos de emprego, pois o que se tinha verificado nos últimos três anos foi uma quebra enorme no setor do turismo, fruto de vários motivos, sendo um deles o aumento da taxa do IVA”, explicou o presidente do TPNP.


No último trimestre de 2015, o Porto registou um crescimento de 16,3% em termos de dormidas e 18,3% em termos de proveitos totais (alojamento, restauração e similares”, face ao período homólogo de 2014, informou Melchior Moreira, considerando estes resultados “históricos”.