Os operadores do Porto de Lisboa e Sindicato dos Estivadores vão reatar as conversações com vista a um acordo laboral, que ponha um ponto final na instabilidade laboral, que já levou à suspensão de escala de grandes armadores.

No final da reunião com os operadores do Porto de Lisboa e com o Sindicato dos Estivadores, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, disse que as duas partes mostraram disponibilidade para se sentar à mesa de negociações, tendo sido definido o prazo de um mês para chegar a consensos.

Em declarações aos jornalistas, no final das reuniões com os operadores e com o Sindicato dos Estivadores, para tentar “promover a paz social” no Porto de Lisboa, Ana Paula Vitorino explicou que "as duas partes responderam ao apelo e vão sentar-se a conversar, sob a coordenação do Porto de Lisboa".
 

"Acho que é possível chegarmos a um acordo", declarou a governante, realçando que “todos têm que ceder, porque caso contrário não se chega a um acordo”.


Um novo Contrato Coletivo de Trabalho foi negociado ao longo de 36 reuniões, tendo a última acontecido em meados de março. Em novembro, o acordo em vigor caducou e hoje a atividade de estiva no Porto de Lisboa é regulada pela lei do trabalho portuário.

O Sindicato dos Estivadores está em greve desde 14 de novembro, tendo entregado pré-avisos de greve sucessivos até pelo menos 21 de janeiro.

A ministra do Mar explicou que, nas duas reuniões, chamou “à razoabilidade ambas as partes”, referindo que as “posições estavam muito extremadas”.

Assim, será constituído um grupo de trabalho, que, até ao final de janeiro, tem que elencar as razões dos dois lados e as soluções para as ultrapassar, explicou a governante.
 

“Até gostaria que fosse mais rápido do que um, mas uma das partes pediu um mês. É necessário ultrapassar este conflito”, sublinhou Ana Paula Vitorino, destacando que não pode “permanecer a indefinição em relação a este porto”.


Na terça-feira, Ana Paula Vitorino anunciou no parlamento que iria promover reuniões com os operadores e com o Sindicato dos Estivadores, em separado, para tentar "promover a paz social" no Porto de Lisboa.

Em audição na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas sobre a 'fuga' de armadores do Porto de Lisboa, na sequência da suspensão da operação da Maersk, Ana Paula Vitorino considerou que a saída do grupo dinamarquês foi o "corolário de um processo mal conduzido durante três anos".


A ministra do Mar defendeu que "não é normal que a administração do Porto de Lisboa e o Governo se demitam de tentar promover a paz social".


"A estratégia que vamos seguir é de promover o diálogo entre as partes", declarou a governante, quando questionada sobre o que o Governo fará para ultrapassar o conflito laboral no Porto de Lisboa, que se traduz numa ameaça de greve dos estivadores que impede os operadores de contratarem novos trabalhadores portuários.

Estivadores partem para negociações “sem condições”

O Sindicato dos Estivadores vai retomar as negociações, “sem condições”, com os operadores do Porto de Lisboa afirmou, entretanto, o presidente, António Mariano.

No final de uma reunião com a ministra do Mar, António Mariano manifestou disponibilidade em voltar às negociações, que foram interrompidas em março, com vista à celebração de um novo contrato coletivo de trabalho, que defenda “os direitos dos trabalhadores”.

“Queremos sair deste processo com uma condição estável de trabalho e não de alguma asfixia”, afirmou aos jornalistas o dirigente sindical, adiantando que a negociação anterior falhou, sobretudo, por falta de vontade.

Recusando-se a “entrar em questões de culpas”, António Mariano sublinhou que “houve aspetos que não foi possível acordar em Lisboa e que foram acordados em outros portos”.