“Terror psicológico”: é assim que o presidente do sindicato dos estivadores classifica o anúncio do despedimento coletivo para avançar de imediato no Porto de Lisboa que os operadores decidiram por redução de atividade. 

António Mariano reagia a esse anúncio e, também, à presença da PSP no Porto de Lisboa, esta terça-feira, para acompanhar a retirada de contentores retidos, na zona De Alcântara, desde abril, desde o início da greve. Há três carros do corpo de intervenção da PSP no local. O sindicalista acusou a polícia de estar a fazer "fretes aos grupos económicos".

"Temos a noção de que o que foi feito ontem e que soubemos pela comunicação social não foi mais do que uma peça do terror psicológico que eles querem inflingir aos estivadores, em cima dos processos disciplinares, de todas as ações em tribunal, de hoje impedir aqui a entrada pelos torniquetes. Enfim, todas as ameaças que recebemos ao longo dos anos. Sabíamos que a lei do Sérgio Monteiro e do Passos Coelho ia dar nisto"

Para o sindicalista, já não é só o direito à greve que está em causa, mas também o “Estado de direito”. “Numa situação de greve, chega-se com a Policia de Intervenção, viola-se o direito à greve e retira-se daqui os matérias que nós não movimentamos porque não estão cobertos pelos serviços mínimos”.

"Houve aqui algum princípio de quase confronto. Os estivadores só querem trabalhar. Quero deixar isto muito claro: estamos disponíveis para trabalhar um turno diariamente. A mercadoria está a ser tirada de forma ilegal"

A TVI assistiu a um camião a sair vazio do tribunal. Ouviram-se aplausos. Estavam cerca de 40 estivadores no local.

Estivadores dão as condições para um acordo

Estes profissionais têm entre as suas reivindicações "acabar com o trabalho temporário e acabar com as empresas paralelas que são criadas para levar à insolvência aquelas que existem". 

Estão, nesse sentido, dispostos a chegar a um entendimento, caso a empresa criada paralelamente for encerrada e se forem resolvidas duas situações do contrato coletivo de trabalho. Querem que fiquem resolvidos problemas com a grelha salarial e querem continuar a fazer o planeamento dos navios, segundo o presidente do sindicato.

“Nós não aceitamos aqui uma empresa [Porlis] com trabalhadores precários de 500 euros, que foi criada pelos nossos patrões ao mesmo tempo que negociavam ao lado e ao mesmo tempo o contrato coletivo. Todo este processo é de má-fé. Se encerrarem a empresa. estaremos em condições de fazer o acordo”