O Sindicato de Estivadores decidiu prolongar as greves no Porto de Lisboa até ao dia 24 de fevereiro após um plenário com os trabalhadores, disse à Lusa o dirigente sindical António Mariano.

Os estivadores estão contra o recurso a novos trabalhadores, depois de terem sido despedidos 47 em 2013, e contestam sobretudo o novo operador Porlis.

«O que está em causa é a tentativa de introduzir uma nova empresa com o objetivo de provocar a insolvência da atual», declarou à Lusa o presidente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal.

Na semana de 03 a 10 de fevereiro, os estivadores no turno das 08:00 às 10:00 vão parar o trabalho «para as empresas sócias da Porlis, maioritariamente pertencentes ao grupo Mota-Engil».

Foi também entregue um pré-aviso de greve para o período de 10 a 17 de fevereiro, que prevê «parar as operações se essas empresas colocarem os seus trabalhadores nalgum terminal», enquanto na semana de 17 a 24 de fevereiro os estivadores voltam a parar, no primeiro turno, «só para as empresas associadas da Porlis».

António Mariano disse ainda que não estão a decorrer atualmente quaisquer negociações com os estivadores, mas sublinhou que o sindicato está disponível para retomar o diálogo.

As paralisações tiveram início no dia 27 de janeiro e já motivaram uma carta aberta das três associações de operadores portuários ao sindicato.

No documento, a que a Lusa teve acesso, os operadores dizem que receberam com «enorme surpresa e forte indignação» os pré-avisos, o que consideraram ainda mais surpreendente quando estes surgem «em pleno decurso do processo negocial de revisão do Contrato Coletivo de Trabalho, que se desenvolvia com toda a normalidade».

«Parece-nos de uma enorme irresponsabilidade que, estando próximos de um acordo sobre matérias fundamentais e prontos para a admissão, no imediato, de mais 18 trabalhadores para o setor, tenha essa direção sindical decidido dinamitar novamente esse entendimento. Só interpretamos tal atitude como uma manifesta e inconfessável forma de não quererem uma paz social no porto de Lisboa», consideram a A-ETPL ¿ Associação¿Empresa de Trabalho Portuário (ETP) Lisboa, a AOP ¿ Associação Marítima e Portuária e a AOPL ¿ Associação de Operadores do Porto de Lisboa.

Os operadores dizem também que estas greves pretendem «defender o interesse de apenas alguns», além de que consideram que põem em causa milhares de postos de trabalho dependentes das operações dos Portos e a inversão do ciclo económico, assim como o abastecimento regular das Regiões Autónomas.