
O sociólogo António Barreto disse esta quarta-feira que «é indispensável fazer uma reforma administrativa», em Portugal, sem qualquer tipo de armadilhas, mas tal deve acontecer de forma «gradual».
«É indispensável fazer uma reforma administrativa mas esta não pode ser feita de supetão, como fez a Grécia», alertou o também presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).
Barreto explicou, à margem do lançamento do novo projeto da Pordata, que «o assunto é delicado, polémico e até controverso». Por isso, na sua opinião, acabará por «provocar algumas perturbações políticas no país».
«Muitas vezes uma reforma administrativa é vista como uma espécie de armadilha que o Governo quer pôr à oposição ou uma emboscada que as oposições querem fazer ao Governo. Como há rivalidades entre freguesias e abusos de poder, este assunto nunca é fácil de resolver», adiantou.
Por isso, continuou, «defendo que se faça uma reforma administrativa mas gradual».
Barreto acrescentou ainda que «a crise vai deixar cicatrizes na estatística». «Daqui a cinco anos, quando olharmos para as estatísticas dos últimos 15 ou 20 anos, em alguns aspetos, vamos encontrar consequências da crise, seja na demografia, nas migrações ou na curva dos rendimentos», alertou.