Num dia "D" para a Grécia, com a reunião do Eurogrupo, em Portugal reina a confiança do Governo em conseguir aguentar um eventual embate, caso o pior desfecho venha a acontecer: a saída de Atenas do euro. O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares disse esta quinta-feira que a estratégia de reembolso antecipado ao FMI do empréstimo feito é para continuar.

"Neste momento, [a crise grega] não afeta rigorosamente nada e eu espero que não venha a afetar, obviamente. Não podemos antecipar, conscientemente, qualquer tipo de turbulência que venha a ocorrer nos mercados. Mas o Governo não antecipa qualquer dificuldade relativamente à antecipação dos nossos próprios pagamentos. O país neste momento está perfeitamente dotado de meios financeiros e de capacidade financeira"


Se a Grécia está à beira do default, sem dinheiro para pagar ao FMI no dia 30 de junho - e Christine Lagarde já avisou que desta vez não vai haver lugar a adiamentos - em Portugal o calendário é, não só para cumprir, como até para antecipar. 

"Pretendemos prosseguir essa estratégia porque é essa a estratégia que melhor defende os interesses financeiros nacionais e os contribuintes portugueses", justificou Marques Guedes. 

Isto porque, pagando mais cedo, menos juros os contribuintes "terão de pagar" pela dívida decorrente do resgate acordado com a troika em 2011. 

O representante do Fundo Monetário Internacional em Portugal veio dizer hoje que duvida que Portugal consiga obter um défice abaixo dos 3% este ano.