O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou esta sexta-feira a uma mudança na cultura empresarial, com mais risco e valor acrescentado, numa visita a uma empresa onde defendeu uma utilização «muito melhor» dos fundos comunitários.

As posições de Passos Coelho foram assumidas durante uma visita à empresa de brinquedos Science4you, criada há sete anos e instalada numa incubadora de empresas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que o primeiro-ministro já tinha visitado quando disputava a liderança do PSD.

Depois de ter ouvido o presidente da empresa, Miguel Pina Martins, de 28 anos, descrever os primeiros passos do seu projeto e as atribuladas entregas de encomendas iniciais, Passos sublinhou a necessidade «de sangue novo, novas experiências» e «de novas empresas, com outra dinâmica, voltadas para o mercado exterior e não tanto para o mercado interno».

«O crescimento do nosso país depende de uma forma irreversível da nossa capacidade para acrescentar valor», afirmou o chefe do Governo, considerando que o fim do programa de assistência externa abre uma nova fase para Portugal.

«Agora que o leque das opções se alargou e portanto podemos começar a pensar em termos mais ambiciosos, é muito importante que possamos utilizar as oportunidades que temos à nossa disposição de uma forma muito melhor do que aquela que fizemos no passado», observou.

Na sua intervenção, que se prolongou por alguns minutos, o primeiro-ministro apelou à iniciativa e empreendedorismo dos empresários, porque «os erros e os falhanços são essenciais para o amadurecimento empresarial e o sucesso empresarial».

«Mais importante do que isso é que as pessoas que viveram algumas situações de insucesso possam aprender com ele para garantidamente na experiência seguinte poderem vir a ter sucesso», sustentou.

Passos defendeu que o mercado externo deve ser o "alvo" principal de novas empresas, «o caminho não do baixo valor, não de explorar as oportunidades do mercado interno, abrindo mais um café».

Deve-se «olhar para o mercado interno e encontrar forma de substituir importações que fazemos de uma forma competitiva, não como outros países que criam barreiras e dificuldades às importações, mas que conseguem dentro do seu próprio mercado competir com o que vem de fora», afirmou.

Antes, Miguel Pina Martins tinha relatado a experiência de abrir a empresa em 2008, quando «tinha acabado de sair da faculdade» e com mil euros das suas poupanças.

Martins revelou que atualmente a Science4you tem mais de 200 trabalhadores e prevê uma faturação de 12 milhões de euros este ano.

"Quanto mais viajo mais tenho a certeza de que os portugueses são os melhores", afirmou.