A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua duvida que a venda do Novo Banco seja benéfica para os contribuintes portugueses. A deputada sublinha o facto de o candidato a comprador ser um grupo chinês.
 

“Dificilmente podemos dizer que este negócio é um bom negócio para os portugueses. Em primeiro lugar, porque é mais uma intervenção no sistema bancário que trará prejuízos aos cofres públicos (…) e porque esta venda a acontecer colocará um banco sistémico nas mãos de um grupo chinês.”

 
Em entrevista no 21ª Hora da TVI24, a deputada considerou ainda que o Estado dificilmente irá reaver o dinheiro que injetou no Novo Banco e lembra que “o banco poderá vir a precisar de mais capital e será a entidade compradora a injetar esse capital e esse montante desconta ao valor de compra”.
 
E sobre a questão das litigâncias que envolvem os chamados lesados do BES, Mariana Mortágua alerta para a dificuldade de prever um número para os custos que os processos podem arrastar: “Podem ser processos que se arrastem por muitos anos e com graves custos para quem tiver de pagar e há uma grande probabilidade de o comprador deixar para o Estado ficar com esse tipo de custos.”
 

“Na dúvida, o custo estará muito mais próximo daquilo que foi o custo do BPN do que o zero que tem dito a ministra das Finanças”, acrescentou.

 
A deputada bloquista, que ficou conhecida junto da opinião pública por causa da sua intervenção na comissão de inquérito ao caso BES/GES, reafirmou que “o processo de intervenção no BES foi muito tardio e deixou-se que se acumulassem prejuízos”. “Se se tivesse intervindo mais cedo não se tinha chegado a este nível de prejuízos”, rematou.