A Presidente da Argentina, Cristina Fernández, defendeu esta terça-feira, em Caracas, Venezuela, a unificação de estratégias dos países-membros do Mercado Comum do Sul (Mercosul), para subordinar a economia à política, à semelhança do que acontece na China.

«A chave está em subordinar a economia à política, mas não para fazer palhaçadas ou estupidezes, para planificar o desenvolvimento de um país. Um dos mitos do neoliberalismo tem sido que a planificação, a intervenção do Estado, é absolutamente contra-producente», afirmou Cristina Fernández, no seu discurso na 46.ª Cimeira de Presidentes do Mercosul, depois de receber, da parte da Venezuela, a presidência rotativa daquele organismo.

«Esse gigante asiático [China] que hoje deslumbra o mundo é fruto de uma meticulosa planificação e decisão, não económica, mas política, que primeiro decide as políticas e com base nas políticas desenvolve e orienta a economia», declarou.

Segundo Cristina Fernández «até agora foi a subordinação» o que predominou economicamente, mas «o mundo está à beira de uma nova etapa».

«A queda do muro de Berlim sugeriu a ilusão do fim da história e da hegemonia de um país sobre todos, mas a realidade está a demonstrar um mundo multipolar, que, mais do que a subordinação, vai requerer complementação e coordenação», disse.

Por outro lado, agradeceu o apoio recebido por parte dos países da América Latina e das Caraíbas à questão da dívida soberana da Argentina (fundos abutres), precisando que o seu país tem pagado as suas dívidas de 190 mil milhões de dólares, com fundos próprios, sem recorrer a novos endividamentos.

Segundo Cristina Fernández, a Argentina deve a privados apenas 8% do seu Produto Interno Bruto, «pagou a dívida ao Fundo Monetário Internacional, o que lhe deu autonomia para que pudesse decidir as suas políticas económicas e comerciais».

«Na segunda-feira, a Argentina pagou 650 milhões de dólares ao Clube de Paris», frisou, insistindo que a vontade do país é pagar 100% aos credores, «mas de maneira justa, equitativa, legal e sustentável».

A 46.ª Cimeira de Presidentes do Mercosul teve lugar hoje em Caracas, na Casa Amarilla, sede do Ministério de Relações Exteriores da Venezuela, com a participação dos presidentes dos países-membros do Mercosul: Cristina Fernández, da Argentina, Dilma Rousseff, do Brasil, Horácio Cartes, do Paraguai, e José Mujica, do Uruguai.

Também estiveram presentes o presidente do Salvador, Sánchez Cerén, e representantes dos Governos do Chile, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia, países associados do Mercosul.