O Banco Central Europeu (BCE) realiza entre esta quinta-feira e sábado o seu segundo fórum mundial, juntando novamente em Sintra algumas das mais influentes personalidades do mundo da política monetária para debater o desemprego e a baixa inflação na Europa.

A partir de hoje e até sábado vão passar pelo ‘ECB Forum on Central Banking’ dezenas de economistas e responsáveis internacionais: o presidente do BCE, Mario Draghi, vai abrir os trabalhos esta noite, dando depois a palavra ao vice-presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), Stanley Fischer.

Durante a conferência será possível ouvir ainda os governadores dos bancos centrais de Inglaterra, Mark Carney, da Irlanda, Patrick Honohan, e do Japão, Haruhiko Kuroda.

Ao governador do banco central do Japão, país que tem vivido sob deflação, cabe a última intervenção no Fórum, no sábado, um dia de trabalhos que será iniciado pelo português Vítor Constâncio, vice-governador do BCE.

No Fórum marcam presença também os economistas chefe das principais organizações económicas internacionais: Peter Praet, pelo BCE, Olivier Blanchard (que deixa o cargo em setembro), pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), e Catherine L. Mann, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Na frente académica, a conferência conta com Lawrence H. Summers, antigo secretário do Tesouro do presidente norte-americano Bill Clinton e hoje professor na Universidade de Harvard, e Tito Boeri, professor na Universidade de Bocconi e presidente do Instituto de Segurança Social italiano, entre outros.

O Fórum mundial ocorre numa altura em que a taxa de inflação na zona euro parece ter deixado o terreno negativo: em abril os dados mais recentes apontam para uma taxa de inflação homóloga na zona euro nos 0,0%, o que compara com -0,1% em março.

Desde dezembro que a taxa de inflação homóloga na zona euro vinha a apresentar todos os meses valores negativos, tendo atingido um pico de -0,6% em janeiro.

A baixa inflação tem impactos significativos na evolução da economia. Preocupado com isso, o BCE tem em marcha um programa de compra de ativos em larga escala para combater a deflação e estimular a economia.

O BCE tem como mandato uma taxa de inflação da zona euro inferior, mas próxima, dos 2%.

Esta conferência do BCE replica um modelo que a Reserva Federal (Fed) norte-americana realiza desde 1978 numa cidade do Kansas, Jackson Hole, que deu nome ao evento que a Fed promove anualmente. No ano passado, o BCE realizou a sua primeira conferência mundial em Sintra.