O manifesto que defende a reestruturação da dívida é «uma total irresponsabilidade», especialmente quando o país se prepara para voltar plenamente aos mercados, disse esta quarta-feira em Madrid Miguel Poiares Maduro.

«Esse manifesto e a simples circunstâncias de se falar de reestruturação da divida é total irresponsabilidade. É uma irresponsabilidade ainda mais num momento em que o país se prepara para regressar plenamente aos mercados», disse o governante a jornalistas portugueses em Madrid.

«A forma responsável de reduzir o peso da dívida em Portugal é fazer o que o Governo tem vindo a fazer: consolidação orçamental, redução de taxas de juro em virtude dessa mesma consolidação orçamental, estender as maturidades da divida», afirmou, citado pela Lusa.

Para conseguir esses objetivos, disse, a «credibilidade internacional é muito importante» e debates sobre reestruturação da dívida «reduzem» essa credibilidade.

Poiares Maduro falava aos jornalistas depois de participar num debate em Madrid organizado pela Câmara Hispano Portuguesa (CHP) onde analisou a situação económica portuguesa e as perspetivas futuras.

«A ideia que alguns querem transmitir aos portugueses de que é possível evitar os sacrifícios com não pagar a dívida é totalmente falsa», disse.

«Mesmo nos Estados sem que houve reestruturação negociada como a Grécia, ou Chipre os sacrifícios impostos a esses países e a população desses países foi bem superior», considerou.

Poiares Maduro considerou ainda mais grave «imaginar o que seria se (a renegociação) fosse não negociada» algo «verdadeiramente catastrófico, com impacto sobretudo nos que menos têm».

«Acho que é uma irresponsabilidade e uma tentativa de em Portugal alguns tentarem convencer os portugueses que é possível evitar sacríficos com ilusões de soluções milagrosas que apenas se traduziam em maiores sacrifícios», disse.

Questionado sobre o facto de o manifesto ter entre os signatários pessoas próximas ao PSD e ao PR, Poiares Maduro disse apenas «cada pessoa assume a responsabilidade por aquilo que defende».

«Mas acho uma enorme irresponsabilidade», disse.