As famílias que vivem nas cidades ganham quase mais 7.000 euros por ano do que aquelas que residem em meios rurais, um balanço que se pode retirar dos anuários estatísticos regionais, relativos a 2014, mas decorrentes do inquérito às despesas das famílias em 2015/2016, só agora divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

O INE fez um retrato de várias áreas, da educação, ao turismo, passando pela administração local e regional, sem esquecer, lá está, o rendimento e as condições de vida. Aqui, "verifica-se uma diferenciação do rendimento total líquido anual médio por agregado familiar segundo o grau de urbanização".

  • 25.334 euros para as famílias residentes em áreas urbanas
  • 18 397.euros em áreas rurais

Ou seja, fazendo as contas, uma diferença de 6.937 euros por ano.

Veja também:

Fazendo a média do rendimento total líquido anual médio por agregado familiar em Portugal, para o ano de 2014, o INE chegou ao valor de 23.635 euros, o que dá cerca 1.969 euros por mês. 

Área Metropolitana de Lisboa (única região a superar o valor médio nacional nesse ano) 28.101 euros
Madeira (rendimento total anual médio por agregado familiar mais baixo do país) 15.526 €
Média de Portugal 23.635 €
Áreas urbanas 25.334 €
Áreas rurais 18.397 €

Em todos os municípios da Área Metropolitana de Lisboa, o rendimento bruto mediano por agregado fiscal situou-se acima do valor nacional. Destaca-se o município de Oeiras que apresentou o valor mais elevado do país (16.339 euros) .

O peso do trabalho

Outra das conclusões é que o rendimento proveniente do trabalho (seja por conta de outrem ou por conta própria) representa cerca de metade (49,6%) daquilo que as famílias recebem em Portugal. Também aqui há distinções no plano urbano vs. rural. 

Considerando a intensidade de urbanização dos territórios e os diferentes tipos de rendimento, a contribuição do rendimento do trabalho para o rendimento total das famílias era mais relevante nas áreas predominantemente urbanas (50,7%) comparativamente com os restantes territórios. Por outro lado, as pensões e o rendimento não monetário assumiam maior importância relativa no rendimento total das famílias residentes em áreas predominantemente rurais: 27,1% e 25,2%, respetivamente".

Outros dados

Num contexto de "melhoria da taxa de transição/conclusão no ensino secundário", realça o INE, todos os municípios da Área Metropolitana de Lisboa, do Algarve e da Região Autónoma dos Açores (com exceção da Calheta) apresentavam valores abaixo da média". 

A média nacional foi de 84,3% no ano letivo 2015/2016, superior ao valor do ano letivo anterior (83,4%). As regiões Norte (86,7%), Centro (86,0%) e Alentejo (85,3%) superaram o valor nacional. 

Também há dados para a habitação:do total de edifícios concluídos em 2016, cerca de 63,5% destinavam-se a habitação familiar.

A maioria dos edifícios concluídos para habitação familiar correspondia a construções novas (cerca de 70%), sendo os restantes 30% obras de reabilitação (ampliações, alterações e reconstruções)".

A proporção de construções novas foi mais elevada na Área Metropolitana de Lisboa (77%). Jás as obras de reabilitação tiveram maior importância no Algarve (46% dos edifícios concluídos para habitação familiar) e na Região Autónoma da Madeira (41%).

No turismo, a procura tem crescido. A Região Autónoma da Madeira, as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e o Algarve são as únicas sub-regiões a registar valores acima da média nacional na taxa (líquida) de ocupação-cama. .

Em 41 dos 308 municípios do país foi estimado um crescimento populacional, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa (14) e na região Centro (12). De uma forma geral, com incidência maior na faixa litoral do Continente.