O presidente da Saer (Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco) e da agência de rating internacional ARC, José Poças Esteves, afirmou esta quinta-feira que um rating não solicitado «tem menos força» porque é sustentado em menos informação.

Questionado sobre a decisão da agência de notação financeira Standard and Poor's de manter o seu rating a Portugal numa base não solicitada, depois do Governo português ter decidido suspender o contrato com a empresa, Poças Esteves salientou que «um rating solicitado é muito diferente de um não solicitado».

Segundo explicou, o rating solicitado é construído com base na informação dada pelo cliente, muitas vezes confidencial, o que não acontece quando a avaliação não é solicitada.

«O principal papel do rating é eliminar a assimetria da informação, ou seja, todos têm a mesma informação, o emitente, o emissor, os intermediários. Se não for solicitado, a assimetria não é eliminada, porque por mais informação que um país publique, nunca dá toda a informação», referiu.

Por isso, sublinhou, «o rating solicitado tem uma validade e uma força muito superior a um rating não solicitado».

Numa nota divulgada na terça-feira no seu site, a Standard and Poor's explicou que vai continuar a avaliar Portugal numa base não solicitada, afirmando ter «acesso a informação pública suficiente e de qualidade confiável para apoiar» esta análise e porque acredita que «há um interesse significativo do mercado neste rating não solicitado».

A 17 de janeiro, a agência de notação financeira retirou a observação negativa do risco da dívida portuguesa (creditwatch negativo), mas manteve uma perspetiva negativa devido a riscos de instabilidade política e social, tendo mantido também o rating atribuído, de «BB».