O economista José Poças Esteves afirmou esta quinta-feira que o ano de 2014 começa «com sinais positivos», mas apontou também preocupações entre as quais um crescimento económico insuficiente para suportar o peso da dívida.

Poças Esteves, que hoje apresentou o relatório de dezembro da Saer (Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco), destacou que subsistem várias dúvidas quanto ao crescimento porque «não se sabe o que vai acontecer à procura interna» nem à procura externa.

Além disso, com uma dívida superior a 100% do Produto Interno Bruto (PIB), Portugal teria de crescer a um ritmo de 4,5% para poder pagar uma taxa de juro semelhante.

«Se formos buscar como referência uma taxa de juro de 4,5%, isso significa que para pagar os juros teríamos de crescer a este ritmo. Há setores que podem crescer a esse ritmo, mas não estão a crescer», observou o responsável da SaeR.

O responsável sublinhou que falta fazer reformas estruturais no sentido de melhorar a completividade da economia, atrair mais investimento estrangeiro e melhorar as condições de financiamento às empresas.

Entre os setores com mais potencial apontou a atividade portuária e logística e as atividades ligadas ao mar, como a aquacultura, pescas e turismo náutico.

Além das preocupações internas, subsistem «nuvens em termos externos» e que podem influenciar o desempenho das exportações, por exemplo.

Questionado sobre a melhor solução para Portugal no final do programa de ajustamento, prevista para maio, o economista salientou que a 'saída limpa' é preferível para os decisores políticos, mas o programa cautelar é melhor para os mercados.

«Os decisores políticos preferem claramente uma saída o mais liberta possível, mas quem tem de pagar as contas e tem de ter um quadro de estabilidade maior prefere claramente um apoio de um programa cautelar», adiantou, justificando que a imposição externa de «um quadro de referências» é «menos bem aceite», do ponto de vista político.