O presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, considerou esta quinta-feira que o possível aumento da pobreza até 2025 «não é surpresa» e salientou que a chave para o combate à austeridade está «nas mãos» da União Europeia.

Em declarações à agência Lusa, a propósito da divulgação do relatório da organização não-governamental (ONG) Oxfam que alerta para um aumento da pobreza até 2025 se se mantiverem as políticas de austeridade, Manuel Lemos disse que «infelizmente» estes dados «nos dias que correm são trágicos, mas não são surpresa».

No relatório «A cautionary tale: The true cost of austerity and inequality in Europe» ('Um conto moral: o verdadeiro custo da austeridade e da desigualdade na Europa'), a organização de luta contra a pobreza defende que o caminho da austeridade já foi usado no passado noutros países e «falhou», pelo que «não pode acontecer novamente».

A Oxfam refere que à escala da Europa, se a política de austeridade for mantida pelos dirigentes políticos, há o risco de 25 milhões de europeus caírem numa situação de pobreza até 2025.

Portugal arrisca-se a ser um dos países mais desiguais do mundo se a política de austeridade prosseguir, preveniu a Oxfam na véspera de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (UE).

No relatório, a Oxfam deixa quatro recomendações aos governos europeus: investir nas pessoas e no crescimento económico, investir nos serviços públicos, reforçar a democracia institucional e construir sistemas fiscais justos.

Em declarações à Lusa, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) disse que as políticas de austeridade sempre fizeram aumentar o número de pobres.

«Na minha opinião, as políticas de austeridade transcendem Portugal. Isto é uma questão de política europeia», salientou.

De acordo com Manuel Lemos, a União Europeia tem de mudar de paradigma ou então é a própria União que vai estar em causa.

«Acredito que a União Europeia foi, é e pode ser um instrumento da paz na Europa muito importante, mas estamos a caminhar para o fim da União. Portugal é demasiado pequenino para resistir às políticas de austeridade que vêm de outros países», disse, salientando que a crise e a pobreza não se resolvem com mudanças de Governo e de políticas em Portugal.

No que diz respeito às recomendações feitas pela Oxfam, Manuel Lemos considera que são mais constatações do que recomendações, sublinhando que também não são novidade.

«Não é a primeira vez que se abordam estas 'recomendações'. Deve falar-se nestes assuntos, mas eu continuo a achar que a chave está em Durão Barroso, mudando o sentido da europa», concluiu.