Mais de metade das pequenas e médias empresas portuguesas (63%) abrangidas por um estudo da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, divulgado hoje, consideram que a faturação gerada pela atividade internacional vai crescer em 2017.

O estudo “Um olhar sobre a internacionalização das PME”, elaborado pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em colaboração com o E-Monitor, uma plataforma de conhecimento que visa compreender a realidade sobre as micro e pequenas e médias empresas portuguesas (PME), noticiado pela Lusa, destaca o facto de 63% das 873 empresas que responderam ao inquérito indicarem que “o volume de negócios gerado pela atividade internacional vai crescer este ano”.

Metade das PME (49%), responderam que vão aumentar o investimento na internacionalização, enquanto 34% sinalizaram que vão manter o mesmo nível de investimento além-fronteiras durante este ano.

Cerca de 80% das empresas registadas com respostas completas (873) referiram que já se internacionalizaram, “uma amostra estatisticamente relevante das PME internacionalizadas”, realça o estudo.

Em termos da distribuição geográfica, “a amostra é próxima da territorialidade do tecido das PME portuguesas”, com Lisboa a representar 42,7%, o Centro 20,3%, Porto 13,6%, Setúbal, Alentejo e Algarve 12,9%, Norte 9,9%, Madeira 0,3% e os Açores 0,2%, refere o documento.

Ao nível dos setores, 30% são empresas industriais (das quais 10% são indústria agroalimentar e 5% indústrias ligadas ao vestuário e calçado), outros 30% são empresas de serviços, 15% são de comércio a retalho e 25% são empresas de setores como Transportes, Alojamento e Serviços de “Porta Aberta”.

O inquérito realça que se está perante um processo de internacionalização de empresas, na sua “imensa maioria” de pequena dimensão, eminentemente familiares e em que os acionistas e a gestão se confundem.

Cerca de metade das PME, cujos responsáveis responderam ao inquérito afirmaram ser donos/acionistas da empresa em análise.

Quase metade internacionalização para crescer 

Além disso, 42% dos inquiridos admitiu ter-se internacionalizado para crescer em complemento da sua atividade no mercado interno, enquanto 33% afirmou que a internacionalização visou o crescimento num contexto de saturação ou declínio do mercado nacional.

Apenas 24% das PME referiu como motivo da internacionalização o tentar compensar a quebra da faturação da atividade no mercado português.

Os resultados evidenciam igualmente “um forte espírito de empreendedorismo internacional” numa grande parte das empresas, com cerca de 42% das inquiridas a sinalizar que “nunca encarou o mercado interno como sendo o seu único mercado”.

Nesse sentido, 35% das empresas refere estar em mais de cinco mercados, 53% entre um e cinco mercados e 8% em mais de 20 mercados.

A presença das PME a nível internacional é liderada pela Europa com 83%, seguindo-se a África (58%), Américas (40%) e a Ásia, Médio Oriente e outras regiões com 29%.

A Espanha é o mercado onde as PME estão mais presentes, representando 51% das respostas.

Seguem-se Angola com 43%, França com 41% e Reino Unido com 30%.

Na Europa, a Alemanha com 28%, Bélgica com 23% e a Holanda com 18% são “já muito importantes” no perfil das PME inquiridas.

Em África, Angola aparece com aproximadamente o dobro das referências de Moçambique.

Os Estados Unidos e o Brasil, por sua vez, apresentam um número de respostas muito semelhantes e nestes países estão presentes quase 20% das empresas, enquanto a China apresenta-se como um mercado com uma importância marcante, com valores ligeiramente acima de 12%.

Uma significativa maioria das empresas, 82%, já está internacionalizada há mais de três anos e 35% internacionalizaram-se há mais de dez anos, segundo o estudo.

Além disso, cerca de 71% das empresas inquiridas assume que a atividade internacional já está a gerar resultados positivos para o negócio, sendo nos setores dos transportes, agricultura e da construção onde se destaca esse contributo.