O ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou hoje que os automóveis da Volkswagen produzidos na fábrica da Autoeuropa “não tiveram incorporação” do ‘kit’ que falseou o desempenho dos motores relativamente às emissões poluentes.

Pires de Lima, que falava após a reunião do Conselho de Ministros, afirmou já ter falado sobre o assunto com os responsáveis da administração da Autoeuropa, segundo os quais “os veículos produzidos em Portugal, nos últimos anos, não tiveram a incorporação deste ‘kit’ fraudulento”.

“Tenho todas as razões para acreditar na Autoeuropa”, reforçou.


O fabricante alemão admitiu que 11 milhões de seus carros a diesel em todo o mundo estão equipados com um 'software' capaz de enganar os testes oficiais de poluição, depois de a Agência de Proteção do Meio Ambiente norte-americana ter acusado a empresa de falsear o desempenho dos motores em termos de emissões de gases poluentes.

“A dimensão desta fraude foi tornada pública, é uma dimensão que não podia antecipar nem imaginar”, reconheceu o ministro da Economia, esclarecendo que não procurou obter da administração da Volkswagen “sinais de tranquilidade”.


“Não procuro tranquilizar-me junto da administração da Volkswagen na Alemanha porque francamente não creio que estejam em condições de tranquilizar ninguém”, afirmou aos jornalistas.

“Não gostaria de colaborar para um registo de ansiedade relativamente a um investidor que, ainda por cima, dá emprego a milhares de pessoas em Portugal”, adiantou Pires de Lima, lembrando que o contrato de investimento que as autoridades portuguesas fizeram com a Autoeuropa e com a Volkswagen “está em execução” pelo que não vê qualquer motivo para “gerar intranquilidade” relativamente a este projeto “muito importante para Portugal”.

Pires de Lima considerou que “deve ser a Volkswagen a dar as explicações que entende, mas adiantou ainda assim que o Governo está a trabalhar com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes para efetuar os controlos necessários “para perceber se há alguma implicação para Portugal”.

“Estamos a estudar os mecanismos de fiscalização deste tipo de emissões, no sentido de podermos contribuir, na parte que nos diz respeito relativamente ao controlo das emissões, não só dos veículos da Volkswagen, mas de todos os que estão no mercado”, explicou o governante, concluindo: “Logo veremos o que resulta dessas inspeções”.