O ministro da Economia, Pires de Lima, disse, esta quinta-feira, que o processo de privatização da TAP entra agora numa fase de "grande melindre" no âmbito da qual o Governo vai trabalhar para proteger os "interesses da TAP e de Portugal".

O Governo decidiu hoje em Conselho de Ministros passar dois candidatos à compra da TAP à fase de negociação, afastando o consórcio de Miguel Pais do Amaral e continuando a negociar com Gérman Efromovich e David Neeleman.

"Esse processo entra, agora, numa fase de grande melindre e eu devo ser parco em declarações porque qualquer declaração pode ser interpretada e jogada contra o interesse da Nação relativamente aos dois concorrentes", sublinhou o ministro no Funchal onde veio participar num jantar alusivo ao "Dia do Empresário Madeirense", organizado pela Associação Comercial e Industrial do Funchal.

Á margem do jantar e depois de se ter reunido com o presidente do XII Governo Regional, Miguel Albuquerque, o ministro António Pires de Lima mostrou-se satisfeito "em dar nota que é um processo competitivo [a privatização]", manifestando que o mesmo "tenha uma solução rápida".

"Acho que o senhor secretário dos Transportes já disse hoje o que era importante dizer em termos de informação e, agora, vamos trabalhar na negociação de uma forma a proteger os interesses da TAP que são os interesses de Portugal", acrescentou.

Salientando ser o primeiro ministro do Governo da República a se encontrar com o novo presidente do Governo Regional da Madeira saído das eleições legislativas regionais antecipadas de 29 de março, António Pires de Lima justificou que tinha ido à Quinta Vigia [sede da Presidência do Governo Regional] "apresentar muito respeitosamente cumprimentos ao novo presidente do Governo Regional e dar-lhe nota do sentido, muito construtivo, que se está a por na relação com o Governo Regional".

O ministro revelou ainda que a reunião com Miguel Albuquerque tinha servido também para dar "nota do sentido muito construtivo que o Governo [da República] põe e, em concreto, o Ministério da Economia, na colaboração com a Região para se poder resolver algumas situações muito importantes aos madeirenses nomeadamente em termos de transportes" aéreos e marítimos e preparar a visita que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, irá fazer à Madeira a 1 e 2 de junho.

"Preparar também alguns dossiers atendendo à visita que o senhor primeiro-ministro vai fazer, aqui, dentro de dez dias e em cuja comitiva estarei também integrado", explicou.

António Pires de Lima adiantou que aos empresários madeirenses vai "transmitir o sentimento de recuperação económica e agradecer o trabalho enorme que estão a fazer, aqui, na Região Autónoma da Madeira" onde a "recuperação começa também a ser visível".

Questionado se trazia algum apoio ou programa específico para a Região, Pires de Lima respondeu: "Os empresários agradecem, sobretudo, é que os governantes os deixem criar riqueza e ficar com a riqueza que criam mais do que propriamente de apoios".

"Há temas muito concretos, aqui, na Região Autónoma da Madeira que precisam de soluções mas acho que essas soluções devem ser anunciadas pelo Governo Regional e não propriamente por um ministro que venha de Lisboa", concluiu.