O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse esta sexta-feira que um eventual cancelamento da greve dos sindicatos da TAP seria o «melhor presente» de Natal dos sindicatos aos portugueses e às suas famílias.

«Valia a pena os sindicatos da TAP ponderarem bem sobre aquilo que estamos [Governo] a dizer neste momento», considerou o governante, logo acrescentando que o cancelamento da greve seria o «melhor presente que sindicatos podem dar a todas a famílias portuguesas».

O responsável falava com os jornalistas em Lisboa, à margem da reunião da Plataforma de Acompanhamento das Relações da Cadeia Agroalimentar (PARCA), onde esteve acompanhado pela ministra da Agricultura, Assunção Cristas.

Pires de Lima lembrou que a greve, que afeta o período de Natal, «prejudica muitas famílias de emigrantes» e «as comunidades das regiões autónomas, por exemplo, sendo que a requisição civil que o executivo implementou é um direito mas também uma «obrigação moral».

O caderno de encargos para a privatização da TAP, medida que os trabalhadores contestam, só vai a Conselho de Ministros a meio de janeiro e «objetivamente» ainda havia «oportunidade de negociação» dos sindicatos por forma a tentarem «influenciar» esse caderno, sublinhou ainda o ministro da Economia.

Já esta sexta-feira o presidente da TAP, Fernando Pinto, alertou que a sobrevivência da companhia aérea está em risco «caso se prolongue a instabilidade atual», convidando os trabalhadores «a refletir na melhor forma de contribuir para a salvaguarda do futuro TAP».

«[…] Nesta conjuntura, sinto ser meu dever dizer claramente: a sobrevivência da TAP está em risco caso se prolongue a instabilidade atual e se não normalizarmos rapidamente a relação de confiança com o nosso mercado. Se tal não acontecer, com urgência, de pouco importará saber se a TAP deve ser pública ou privada», afirmou Fernando Pinto, numa carta enviada hoje aos trabalhadores da companhia, a que a Lusa teve acesso.

A requisição civil aprovada na quinta-feira pelo Governo abrange cerca de 70% dos trabalhadores da TAP, permitindo realizar todos os voos previstos para os quatro dias da greve, afirmou o ministro da Economia, António Pires de Lima.

A decisão de relançar a privatização da companhia aérea, suspensa em dezembro de 2012, acendeu uma nova onda de contestação, que culminou com a marcação de uma greve geral de quatro dias de 27 a 30 dezembro.

O Governo pretende apresentar o caderno de encargos da venda de até 66% do grupo TAP até ao início de janeiro, para depois ser levantado pelos potenciais interessados, devendo o processo estar encerrado no primeiro semestre de 2015.