O ministro da Economia apontou esta terça-feira o setor do calçado como um exemplo da “capacidade de ganhar fora de casa” dos empresários portugueses que, mesmo mantendo uma estrutura familiar, “fizeram do mundo a sua casa em termos de competição”.

“É seguramente um dos setores que merece ser mostrado como uma bandeira, como um orgulho, pelo esforço coletivo que fez e pela capacidade empresarial demonstrada por cada empresa”, afirmou António Pires de Lima durante uma visita à comitiva de 93 empresas portuguesas que de hoje a sexta-feira participa na feira de calçado Micam, em Milão, Itália, escreve a Lusa.

Apontando a “escala muito impressionante” a que o setor do calçado tem contribuído positivamente para a balança comercial portuguesa, a par de outros, “como o turismo e o têxtil”, Pires de Lima salientou que 2015 se prepara para ser o “terceiro ano consecutivo” em que o Portugal apresenta uma balança comercial de bens e de serviços positiva.

“É a primeira vez que acontece em Portugal desde a década de 40 do século passado, por mérito das empresas portuguesas - que estão a exportar mais cerca de 40% do que exportavam há cinco anos - e que demonstra uma enorme capacidade de competir e de ganhar fora de casa que os empresários portugueses ganharam ao longo dos últimos anos”, salientou o ministro.


A par do mérito dos empresários, Pires de Lima destacou a importância da “consistência de políticas públicas no apoio ao setor” e da posição do Estado português enquanto “parceiro previsível e constante” da indústria do calçado, recordando que os vários executivos têm vindo a apoiar consistentemente a indústria do calçado “desde a década de 80”.

“Temos seguramente mais de 10 milhões de euros de apoio por ano só à promoção do setor do calçado neste esforço que estamos a fazer com várias feiras em todo o mundo”, sustentou, reiterando que “a grande virtude deste tipo de apoios é que sejam continuados ao longo do tempo, legislatura após legislatura”, porque só assim “se consegue construir marca e presença comercial”.

Relativamente aos 160 milhões de euros de investimento projetados pelo setor português do calçado para os próximos cinco anos nas áreas da internacionalização, inovação e qualificação, António Pires de Lima admitiu que venham a ser comparticipados em “20/30%” pelos fundos comunitários do Portugal 2020.

Mas advertiu: “Seria muito mau se estes 160 milhões de euros só fossem investidos se existissem fundos comunitários, porque os investimentos do setor privado devem ter uma lógica de rentabilidade que deve começar nos empresários privados. O apoio comunitário surge como um adicional que pode ajudar esses investimentos, mas não é automático nem a fundo perdido, são fundos reembolsáveis para poderem ser reinvestidos na economia com um efeito multiplicador”.


Neste contexto, elogiou o setor do calçado por “ter decidido investir independentemente do apoio que vier a ter”, considerando que “isso é que demonstra iniciativa, independência e capacidade de fazer”.

“Eles investem porque têm sucesso, porque ganham quota um pouco por todo o mundo, porque apostam na internacionalização e na qualificação da sua gestão. Os apoios comunitários existem para complementar essa aposta mas não como a principal justificação dessa aposta, este é que é o modelo virtuoso de investimento privado que está a relançar Portugal”, sustentou.