O ministro da Economia, Pires de Lima, disse esta terça-feira que as empresas multinacionais estão «a apostar, crescentemente, em Portugal», porque existem no país recursos humanos qualificados, o «maior fator de competitividade» da economia nacional.

Ao intervir, em Évora, na sessão de assinatura de um memorando de entendimento entre o Estado e a tecnológica Capgemini Portugal, para a criação de um centro de serviços remotos na cidade alentejana, o ministro frisou gostar «particularmente deste tipo de investimentos»

«Eles [estes investimentos] permitem dar 'luz' àquilo que é o maior fator de competitividade da economia portuguesa», ou seja, «as pessoas», referiu.

Segundo António Pires de Lima, «não existem centros de serviços partilhados qualificados sem pessoas qualificadas».

E, se os jovens formados nas universidades e nos politécnicos não estivessem bem preparados, frisou, «as multinacionais, como a Capgemini, não estariam a apostar, crescentemente, em Portugal como localização estratégica para os seus centros de serviços partilhados».

«Quando uma empresa como a Capgemini decide escolher Évora significa que optou por esta cidade em detrimento de todos os outros sítios no mundo onde poderia localizar este centro de serviços», sublinhou o governante.

«Era bom que pensássemos nisto quando assistimos, muitas vezes, a um discurso político que procura desvalorizar a capacidade dos portugueses», criticou.

Para criar o seu centro de serviços remotos em Évora, a Capgemini Portugal assinou hoje o memorando de entendimento com a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e o IEFP - Instituto do Emprego e Formação Profissional.

O investimento da empresa portuguesa, que pertence ao universo da multinacional francesa Capgemini, e cujo montante não foi divulgado, resulta de uma parceria com a AICEP e o IEFP, com «forte envolvimento» da Universidade e da Câmara de Évora, assim como do PCTA e de outras entidades regionais.

Paulo Morgado, administrador-delegado da Capgemini Portugal, empresa que atua nas áreas da consultoria e tecnologias de informação, explicou aos jornalistas que o projeto vai começar «em setembro», com a criação de 50 postos de trabalho, os quais poderão chegar aos 150, nos próximos dois anos.

A atividade do centro, em conjunto com parceiros internacionais de software, vai assentar na «prestação de serviços remotos, de manutenção e de desenvolvimento de novos projetos (...) e na execução de módulos de software para projetos de grande dimensão», revelou.

O PCTA já tem 23 empresas instaladas, sobretudo das áreas de Energia e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), tendo o seu diretor-geral, João Mateus, explicado à agência Lusa que o objetivo é fechar 2014 com «perto de 30 empresas».

João Mateus adiantou ainda que, no ano passado, as 17 empresas sediadas no parque, na altura, faturaram um total de 17 milhões de euros, tendo exportado 25% da sua produção, para países europeus, mas também para Brasil, Angola, Tanzânia ou Emirados Árabes Unidos.