O ministro da Economia, Pires de Lima, considera que não precisa do Fundo Monetário Internacional. Em entrevista no programa da TVI24, Política Mesmo, o governante sublinhou que respeita os relatórios do FMI mas sublinha que está “ligado à economia real”.

"Mas por que é FMI importante quando já não precisamos dele? Sou ministro da economia real. O FMI alguma vez geriu alguma empresa? Não preciso de conselhos paternalistas de uma instituição que tem sede a 10 mil quilómetros de distância"

 
Pires de Lima sublinhou que há dois anos e meio que a economia portuguesa continua a crescer e a criar emprego.“Discordar do FMI não é um anátema, já se enganou no passado tantas vezes”, disse, referindo-se a um relatório recente que concluía que Portugal precisa de 20 anos para voltar ao desemprego pré-crise.

Para Pires de Lima, o primeiro legado da governação PSD/CDS-PP foi ter retirado Portugal da assistência financeira e de um radar que comparava Portugal com países como a Grécia."Entregamos um país para juízo popular livre da assistência financeira e com taxas de juro de 2,5% para financiar a sua economia", sumarizou, aproveitando para lançar farpas ao PS:

"O que é chocante é que ao fim de quatro anos os que podem ser os novos intérpretes duma alegada esperança socialista continuem a insistir num legado que manifestamente nos deixou na bancarrota, a necessitar um resgate que condicionou a governação durante pelo menos nos primeiros três anos da coligação"


Para Pires de Lima, chega a ser impressionantes a forma como o Partido Socialista, "através dos seus mais antigos representantes" e também "uma nova geração de políticos emergentes, coincidirem num diagnóstico: é que o "Engenheiro José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, foi impecável na defesa do interesse público".

 
“Não há fúria privatizadora”


Pires de Lima recusou a classificação de “fúria privatizadora”, feita pela oposição: “Limitamo-nos a cumprir as privatizações do memorando da troika e confesso que acredito que estas empresas terão um futuro melhor”, justificou.

Relativamente à TAP, o ministro da Economia disse não estar preocupado com a reversão do negócio, como ameaçou o PS, e acredita que o negócio vai passar no crivo de Bruxelas.

 “Na absurda hipótese do PS voltar a ter responsabilidades governativas nos tempos mais próximos creio que vai reconhecer o benefício de estar no governo com a TAP privatizada. E não creio que com a estrutura de negócio apresentada esta privatização vá conhecer obstáculos importantes em Bruxelas”


O ministro acrescentou ainda que a concessão dos transportes vai trazer benefícios não só para as empresas, mas para os cidadãos, que estão fartos de greves nos transportes públicos. Pires de Lima referiu que a concessão dos transportes em Lisboa vai poupar 200 milhões aos contribuintes, nos próximos dez anos. No porto, as poupanças serão de 100 milhões.
 

“Poupanças significativas, para além da melhoria de ter empresas geridas de forma mais próxima e com critérios de paz social”. 


Pires de Lima explicou também o motivo da sua ausência das listas de deputados da coligação. Para si "não é compatível" com o seu destino profissional com a vida de "gestor executivo".

"Não me recandidato a deputado desde 2005. Eu acho que não faz sentido nenhum eu candidatar-me a uma função que não tenciono desempenhar. Porque seria uma mentira que eu estaria a contar aos portugueses".