O ministro da Economia garante que o Governo não está a preparar um programa cautelar, estando antes unido no propósito de concluir o atual programa financeiro.

«Todo o Governo está absolutamente coeso para concluir o programa de assistência e foi nesse espírito que eu falei da utilização de um seguro cautelar. É disso que se trata e isso está previsto para todos os países que cumpram», disse António Pires de à margem de uma conferência organizada esta terça-feira em Lisboa pela «Antena 1» e pelo «Diário Económico».

O ministro esclarecia assim as declarações que tinha feito ontem em Londres, onde adiantou que o objetivo do Governo era começar a negociar o programa cautelar com Bruxelas nos primeiros meses do ano que vem.

«Não há nenhuma preparação nem eu tenho autoridade [para isso] porque não é o Ministério da Economia [que trata]. Não está a ser preparado», acrescentou.

Reconhecendo que o Orçamento do Estado para 2014 «é exigente», Pires de Lima disse que o mesmo deve ser encarado «como um meio para recuperar a soberania e a autonomia financeira» do país.

«É um meio que é indispensável para concluirmos o programa, que significará o acesso aos mercados e ao seguro cautelar previsto para os países que cumprem», concluiu.

«Não é possível reduzir a despesa pública sem afetar salários e pensões, [porque] são uma parte substancial da despesa do Estado», lamentou.

Vários membros do Governo têm recusado falar sobre o programa cautelar que o país espera conseguir no ano que vem, quando o atual programa de resgate terminar. Ainda assim, o secretario de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, admitiu que Portugal vai precisar de «um seguro» para regressar aos mercados.