O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse esta terça-feira entender os protestos dos taxistas contra a Uber e que o serviço seja encarado como uma "ameaça", sublinhando que deve ter regras próprias e ser enquadrado.

“Entendo o sentido ou, pelo menos, julgo entender uma parte do sentido dos seus protestos”, disse, aos jornalistas, acrescentando que a Uber é um serviço que deve ter “regras próprias” e que precisa de ser “enquadrado”.

Para o governante, que falava à margem da apresentação de um plano de desenvolvimento para Vilamoura, aquele serviço não seria sentido "como uma ameaça" pelos taxistas "se não tivesse gente, provavelmente muita gente, a procurar os seus serviços" e se não estivesse a prestar um serviço "que alguns entendem como necessário e inovador".

Segundo António Pires de Lima, o esforço de enquadramento da nova atividade já levou à criação de um grupo de trabalho europeu onde Portugal "deve participar e ter uma voz ativa", para que "não se conheçam diferentes enquadramentos, diferentes regulamentos", de país para país.

"É importante aguardar pelos resultados desse trabalho e esperar, porque é evidente que, no final, temos que ter regras de concorrência que sejam sentidas como regras de concorrência saudáveis", concluiu.


Milhares de taxistas protestaram hoje em marcha lenta no Porto, em Lisboa e em Faro, contra o transporte de passageiros por condutores através da aplicação eletrónica Uber, numa iniciativa organizada pela Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL).

O Tribunal Central de Lisboa aceitou a 28 de abril deste ano uma providência cautelar interposta pela ANTRAL, e proibiu os serviços da aplicação de transportes Uber em Portugal, decisão que foi confirmada pelo mesmo tribunal em junho.

Contudo, segundo a ANTRAL, a Uber “continua a trabalhar da mesma forma” que trabalhava antes da decisão do tribunal.

Questionado pelos jornalistas se concordava com a decisão judicial, Pires de Lima não se quis pronunciar sobre "matérias legais".

O governante falava aos jornalistas na marina de Vilamoura, à margem da apresentação de um plano de desenvolvimento para o empreendimento, que propõe um novo enquadramento urbanístico, através da execução de 18 projetos que, a serem concretizados, representam um investimento de 1.000 milhões de euros.