O ministro da Economia disse esta terça-feira, em Santarém, que o Documento de Estratégia Orçamental «foi um trabalho concluído pelo Governo que está muito bem feito», remetendo qualquer comentário sobre os cortes anunciados para «amanhã ou depois».

António Pires de Lima encerrou, em Santarém, um seminário sobre as PME e a Agenda 2020, promovido pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e pela Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant), tendo recusado fazer mais comentários sobre as medidas anunciadas no final do conselho de ministros extraordinário desta terça-feira.

O presidente da CIP, António Saraiva, considerou os cortes anunciados como «positivos» por serem «finalmente» feitos do lado da despesa.

«Esta questão da eficiência da máquina pública, já que está anunciada a fusão de algumas empresas do setor público empresarial, é bem-vinda. Acho que se vai no bom caminho. Deixou-se de ir pela arrecadação das receitas via impostos, que era o mais fácil, e finalmente há uma racionalização nos cortes pelo lado da despesa, o que é louvável», afirmou.

António Saraiva disse considerar igualmente positiva a redução do recurso a consultores e a «eficiência» nos ministérios.

«São cortes que vão no bom sentido. Aguardamos agora o Documento da Estratégia Orçamental, que brevemente será apresentado, para termos uma visão mais ampla daquilo que se espera do Estado», acrescentou.

Instado a comentar o corte de 1.400 milhões de euros, o presidente da CIP considerou-o menor do que se esperava, mas defendeu que é fundamental que os cortes «tenham uma estratégia» e não sejam transversais.

«Pelo que percecionamos há aqui uma estratégia subjacente. Há que aguardar o DEO para termos uma visão mais alargada», disse, acrescentando esperar que da redução da despesa do Estado resultem excedentes «para estimular e apoiar a economia».

«Precisamos de estímulos, de uma maior competitividade, de internacionalizar a nossa economia, de gerar fatores de inovação», afirmou, sublinhando que as empresas «não estão à espera de subsídios nem de flutuadores, mas sim de estabilizadores».