O ministro da Economia, António Pires de Lima, classificou esta sexta-feira como «assinalável» o crescimento homólogo da economia portuguesa no terceiro trimestre deste ano, considerando que confirma as previsões do Governo.

«O crescimento de 1,1% face a período homólogo é assinalável e está em linha com as previsões do Governo. O crescimento em cadeia de 0,3% também está alinhado com o que eram as nossas ideias», disse Pires de Lima, acrescentando que se sustenta num consumo privado que «está a recuperar», num investimento «que voltou a crescer» e nas exportações que «estão a conhecer, no segundo semestre do ano, uma reativação».

O ministro falava aos jornalistas no final da reunião do Conselho Nacional para o Empreendedorismo e Inovação (CNEI), em Lisboa.

A economia portuguesa cresceu 1,1% no terceiro trimestre em termos homólogos e, face ao trimestre anterior, registou um crescimento de 0,3%, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A procura interna apresentou um contributo positivo mais intenso para a variação homóloga do PIB, passando de 1,7 pontos percentuais no segundo trimestre deste ano para 1,9 pontos percentuais no terceiro trimestre, refletindo sobretudo a evolução das despesas de consumo final das famílias residentes. 

A procura externa líquida registou um contributo negativo de 0,9 pontos percentuais. 

Esta previsão está em linha com as estimativas dos analistas, e é superior à primeira estimativa do instituto, divulgada há cerca de duas semanas. Esta dava conta de que a economia tinha crescido 0,2% no terceiro trimestre do ano, com uma variação homóloga de 1%. 

O ministro disse não estar surpreendido com os dados avançados pelo Eurostat, lembrando as previsões de crescimento já apontadas pelo Governo no orçamento retificativo.

Pires de Lima assinalou ainda a contribuição deste crescimento para «que o desemprego em Portugal tenha caído de 15,6 em outubro de 2013 para 13,4 por cento em outubro de 2014».

Números do Eurostat, divulgados hoje em Bruxelas, revelam que a taxa de desemprego estimada para outubro foi de 13,4% da população ativa, mais 0,1 pontos percentuais do que em setembro, e que face ao mesmo mês do ano passado, houve uma queda de 2,2 pontos percentuais da taxa de desemprego de Portugal, que passou de 15,6% em outubro de 2013 para 13,4% este ano, o que segundo o gabinete de estatística europeu representa a segunda maior queda entre os Estados-membros.

«É muito importante que a economia portuguesa possa consolidar este momento de recuperação económica e possa crescer mais porque temos consciência que o desemprego continua a um nível muito alto, 13,4 por cento de desemprego são muitas pessoas que querem trabalhar e não tem oportunidade de trabalho», disse o ministro.


«No ano passado foram criados 210 mil postos de trabalho líquidos em Portugal. Temos de continuar nesta linha», acrescentou.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de o Governo ter que adotar medidas adicionais para conseguir cumprir o défice de 3% para 2014, depois dos alertas de hoje da Comissão Europeia, Pires de Lima disse acreditar que tal não será necessário.

A Comissão Europeia alertou hoje que o Orçamento do Estado português para 2015 «está em risco de incumprimento» do Procedimento de Défices Excessivos, em particular, de não cumprir a recomendação de alcançar um défice inferior a 3% do PIB.

«Os dados que vamos conhecendo em Portugal sobre a execução orçamental de 2014 estão na linha do que tínhamos previsto com um saldo claramente positivo relativamente àquilo que era a realidade em 2013. A própria economia tem ajudado muito aos objetivos de consolidação orçamental porque as receitas fiscais este ano estão a crescer bem acima do que se tinha previsto [...) pelo facto de o consumo e a atividade económica terem vindo a melhorar», disse.


«Acreditamos que com os planos que foram traçados não vai ser necessário qualquer tipo de medida adicional para cumprir os objetivos de 2014 e até de 2015», acrescentou.

Portugal integra a lista de países que Bruxelas vai seguir atentamente, juntamente com Bélgica, Bulgária, Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Croácia, Hungria, Holanda, Roménia, Eslovénia, Finlândia, Suécia e Reino Unido, na primeira vez em que é incluído neste exercício, que visa identificar precocemente potenciais desequilíbrios que possam comprometer o desempenho das economias nacionais, da zona euro ou da UE no seu todo, já que antes estava sob programa de assistência.

O ministro da Economia disse ainda que «todos os alertas, avisos e dúvidas metódicas são recebidos sem qualquer drama pelo Governo».