O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse esta terça-feira que o Governo está a estudar «várias possibilidades» para poder ajudar as empresas portuguesas a transferirem divisas de Angola, escusando-se, para já, a enunciá-las.

Questionado à margem de uma conferência em Lisboa para apresentação do livro Mercator da Língua Portuguesa, Pires de Lima repetiu que o Governo português está a acompanhar muito de perto a situação das empresas portuguesas em Angola, mas escusou-se a enunciar as medidas que estão em estudo pelo Ministério da Economia.

Sobre a possibilidade de criação de linhas de crédito que permitam compensar a dificuldade na transferência de divisas de Angola para o estrangeiro, o ministro respondeu: «As regras são as que foram definidas pelo Governo angolano. Estamos a estudar várias possibilidades, estamos a acompanhar de perto, e quando digo de perto não estamos a acompanhar apenas do ponto de vista da simpatia, estamos a estudar várias possibilidades, e quando estiverem mais estudadas e decididas, daremos nota pública do que estamos a fazer».

Numa conferência dominada pela situação da economia angolana, o ministro da Economia reconheceu que «dentro do universo da lusofonia, Angola tem uma prioridade importante» e salientou que «é natural e saudável haver investimentos angolanos em Portugal e também temos o desejo de que investimentos portugueses em Angola possam continuar a progredir e a afirmar-se de forma consistente e constante».

Para melhorar a relação económica entre os dois países, o ministro anunciou que o Fórum Empresarial acontecerá na terceira semana de junho e que essa altura «marcará também o arranque operacional do observatório dos investimentos portugueses em Angola e investimentos angolanos em Portugal».

O que se pretende, acrescentou o governante, «é que ao nível político se ajude a acelerar os processos de investimento de empresas portuguesas em Angola ou também de investidores angolanos em Portugal».

O ministro da Economia disse também, quando instado a comentar a possibilidade de fusão entre o BCP e o BPI, que não via razão para se pronunciar enquanto ministro da Economia sobre as movimentações de duas empresas privadas, optando por enfatizar que é positivo haver interesse em bancos portugueses por parte de operadores estrangeiros.

«Não tenho nenhum comentário particular sobre a OPA, o futuro deve ser decidido pelos acionistas, mas é sempre bom perceber que existe interesse de investimento em Portugal, isso é bom, mas relativamente aos futuros acionistas de empresas privadas, não vejo particular razão para o ministro da Economia dar a sua opinião», disse Pires de Lima.