[Notícia atualizada com os últimos números oficiais da TAP]

O quarto dia de greve dos pilotos da TAP continua a causar transtornos aos passageiros.

Até agora, e conforme a última atualização de números da companhia aérea, "foram realizados 148 voos e cancelados 62".

Na TAP foram realizados 130 voos e na PGA apenas 18. No que respeita aos cancelamentos, 32 aviões da TAP ficaram em terra e da PGA 30 não levantaram voo. 

Segundo a porta-voz da TAP, Carina Correia, "muitos pilotos estão a apresentar-se ao serviço e não estão a aderir à greve.


Esta madrugada, e numa antevisão a mais este dia de greve, a transportadora aérea revelou que previa realizar 70% dos cerca de 300 voos programados para esta segunda-feira.

Situação é pior no Porto

Questionada sobre as críticas da Associação Empresarial de Portugal (AEP) de que o grupo TAP "optou por subalternizar o centro operacional que ainda tem no Porto, na tentativa de mitigar os efeitos da paralisação em Lisboa”, Carina Correia disse que "não se trata disso" e explicou a situação.

Por um lado, argumentou, o 'hub' da TAP é de facto em Lisboa, o que significa "mais soluções, mais voos para mais destinos e logo um escoamento mais fácil dos passageiros do que no Porto", por outro, "o Tribunal Arbitral decretou serviços mínimos que ficaram aquém das necessidades do Porto".

Carina Correia considera que "devia haver mais serviços mínimos no Porto", mas de qualquer forma adianta que a companhia aérea já está a resolver a situação, tendo já esta noite transportado passageiros por via terrestre do Porto para Lisboa, de forma a reencaminhá-los a partir de Lisboa.

Greve arrancou na sexta-feira, 1 de maio

No domingo, a TAP realizou (até às 19:00) 70% dos 272 voos programados, o que equivale a 189, tendo sido cancelados 83, a maioria dos quais da Portugália, revelou um porta-voz da empresa. 

O Sindicato e a empresa já entraram numa  "guerra de números" relativamente à adesão à greve. 

Os pilotos da TAP cumprem hoje o quarto de dez dias de greve, por considerarem que o Governo não está a cumprir dois acordos, assinados em 1999 e em dezembro de 2014. 

O primeiro conferia aos pilotos uma participação de até 20% da TAP em caso de privatização, em troca de atualização dos salários, mas o Governo diz atualmente que a pretensão não tem qualquer validade, remetendo para um parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República, que dá aquela pretensão como prescrita. 

O segundo acordo juntou nove sindicatos, em dezembro passado, mas o SPAC diz que o Governo não pretende cumpri-lo, o que é manifesto pelo facto de não ter incluído sanções ao incumprimento no caderno de encargos da privatização. Neste ponto, o mais polémico é a reposição das diuturnidades (subsídio de senioridade), congeladas sucessivamente desde o Orçamento de Estado para 2011. 

O primeiro dia de greve ficou marcado ainda por uma reunião do Governo com o presidente da TAP, Fernando Pinto. No final da reunião, o ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou aos jornalistas que já não havia "nada para negociar" com os pilotos. 

Nos dez dias de greve, deverão ser afetados cerca de 3.000 voos e 300 mil passageiros.