A transportadora aérea portuguesa TAP realizou apenas 36% dos voos programados, no primeiro dia de greve dos pilotos, revelou o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC).

Excluindo os voos dos serviços mínimos, a empresa efetuou 36% dos voos programados, segundo contas do sindicato, que contrariam as do Governo. O ministro da Economia disse esta sexta-feira, ao início da noite, que dos 227 voos programados, 155 foram realizados até às 17:00, ou seja, 70% dos voos agendados. Trinta e um foram cancelados.

Os pilotos da TAP fizeram esta sexta-feira o primeiro de dez dias de greve por considerarem que o Governo não está a cumprir dois acordos, assinados em 1999 e em dezembro de 2014.

O primeiro conferia aos pilotos uma participação de até 20% na TAP em caso de privatização, em troca de atualização dos salários, mas o Governo diz que a pretensão não tem qualquer validade, remetendo para um parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República.

O segundo acordo juntou nove sindicatos, mas o SPAC diz que o Governo não pretende cumpri-lo, o que é manifesto pelo facto de não ter incluído sanções ao incumprimento no caderno de encargos da privatização. Neste ponto, o mais polémico é a reposição das diuturnidades (subsídio de senioridade), congeladas sucessivamente desde o Orçamento de Estado para 2011.

O primeiro dia de greve ficou marcado ainda por uma reunião do Governo com o presidente da TAP, Fernando Pinto. No final da reunião, o ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou aos jornalistas que já não havia "nada para negociar" com os pilotos.

"Os pilotos que vieram trabalhar hoje não estão a fazer nenhum favor ao Governo, não significa que eles estão a favor da privatização. O que estão a fazer é reconhecerem a importância da empresa para o país, para a sua economia."


Nos dez dias de greve, deverão ser afetados cerca de 3.000 voos e 300 mil passageiros.