O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse esta quarta-feira que ainda acredita na privatização da TAP, mas que os custos da greve dos pilotos vão ter impacto no negócio. As propostas de compra terão de ser entregues pelos interessados até esta sexta-feira, às 17:00.

“Esse custo, não tenho dúvidas, foi um custo muito pesado para a empresa e influirá seguramente naquilo que são as propostas que vão ser apresentadas para o processo de privatização, mas isso infelizmente não é nada que o Governo possa contrabalançar porque a perda é efetiva”, disse o primeiro-ministro aos jornalistas.

E acrescentou: “o que temos agora é de pensar no dia seguinte de como podemos, de alguma maneira, compensar ou reparar essas perdas, garantindo um futuro para a empresa.”

O primeiro-ministro disse ainda não ter indicação de que estejam a ser preparados despedimentos.

 

"Não temos nenhuma indicação de que nos planos da administração da empresa estejam despedimentos. Não tenho nenhuma indicação nesse sentido, mas aguardaremos evidentemente aquilo que o conselho de administração vier a apresentar", declarou Pedro Passos Coelho, reiterando: "Mas não tenho nenhuma indicação nesse sentido".

Esta manhã, o Diário Económico noticiou que a Barraqueiro se uniu a David Neeleman para fazer uma proposta para a compra de até 66% do capital da TAP.

O consórcio já terá garantido um capital entre 300 e 350 milhões de euros, que garantem o mínimo para a capitalização da companhia aérea. 

A Barraqueiro é apenas uma das empresas que avançará com David Neeleman para a compra da TAP, já que há um conjunto de investidores que tradicionalmente acompanham os investimentos do empresário norte-americano. O consórcio propõe-se a financiar a operação por via de capitais próprios e com apoio de fundos de investimento.

Já o empresário Miguel Paes do Amaral disse na terça-feira que vai tomar até sexta-feira uma decisão sobre o processo de privatização da transportadora aérea TAP, salientando que a greve dos pilotos “não é fator crítico na análise”.

Em declarações à Rádio Renascença, Paes do Amaral, que está a analisar a aquisição da TAP em conjunto com o consórcio norte-americano Frank Lorenzo, disse que ainda não assumiu uma decisão final quanto ao processo de privatização da transportadora aérea.

Entre os interessados, há três empresas com capitais de risco assinaram um acordo de confidencialidade com o governo para acederem a informação sobre a transportadora. Para além da Apollo e da Greybull, também a Cerberus está na corrida.  

O sindicato estima que a greve tenha causado um prejuízo de 30 milhões ao Estado. O Governo aponta para um impacto de 35 milhões.  

Os pilotos da TAP e da Portugália cumpriram 10 dias de greve (entre 01 de maio e domingo) por considerarem que o Governo não está a cumprir o acordo assinado em dezembro de 2014, nem um outro estabelecido em 1999, que lhes dava direito a uma participação de até 20% no capital da empresa no âmbito da privatização. 

Os pilotos e a administração da TAP chegaram a estar perto de um acordo, mas à última hora o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil recusou as propostas da administração da empresa, entre elas aumentar os salários