O dirigente do Sindicado dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), Hélder Santinhos, lamentou as declarações de sexta-feira do ministro da Economia, quando afirmou que o Governo estaria fechado a negociações sobre a greve de dez dias na TAP.

"Se o ministro diz que as negociações estão fechadas, o que podemos fazer?", questionou Hélder Santinhos sobre a atitude de Pires de Lima no final de tarde de sexta-feira.

“Parece-nos muito estranho como é que esta administração produz resultados negativos constantemente e não acontece nada", acrescentou em declarações à agência Lusa.

Pires de Lima afirmou sexta-feira aos jornalistas não haver "nada para negociar", uma vez que "cada um fez aquilo que entendia fazer", mesmo depois de, na noite de quinta-feira, o Governo "ter mostrado abertura e de ter ido ao encontro de algumas pretensões" dos pilotos.

Para o dirigente sindical, o Governo "está refém" da administração liderada por Fernando Pinto, aliás como tem acontecido nos últimos anos, já que "tem havido uma falha de supervisão crónica à administração por parte dos vários governos".

Hélder Santinhos adiantou também que os resultados referentes a 2014 da Parpública, empresa do Estado que detém a TAP, comprovam que o problema da companhia não está no transporte aéreo, onde tem lucros, mas sim no negócio do Brasil, onde a Manutenção e Engenharia Brasil, SA (ex-VEM) tem tido prejuízos crónicos.

"O SPAC lança um alerta aos trabalhadores da TAP e aos portugueses para se preparem para pagar o 'buraco' que é a VEM, já que a atividade rentável do Grupo TAP, o transporte aéreo, será entregue de borla ao privado", frisou um comunicado hoje divulgado pelo sindicato dos pilotos.

"O problema do grupo TAP é a VEM, que tem uma tendência crónica de apresentação de prejuízos todos os anos e se o Governo quer uma reestruturação da TAP, deve vender a VEM e continuar com o transporte aéreo que tem dado lucros todos os anos, à exceção do ano passado", ressaltou o dirigente do SPAC.

Para Hélder Santinhos, o Governo "está a entregar uma companhia rentável a um privado e a VEM, provavelmente, vai ficar nas mãos do Estado", sendo os portugueses a pagar a fatura, acrescentando que Pires de Lima "não está preocupado com a TAP ou com o turismo".

De acordo com os resultados divulgados pela Parpública, a empresa brasileira do grupo TAP tem vindo a acumular prejuízos, somando nos últimos três anos 113,2 milhões de euros.

A empresa do grupo que se dedica apenas ao transporte aéreo tem tido, pelo contrário, lucros nos últimos anos, à exceção de 2014, quando registou um prejuízo de 47,4 milhões de euros, devido, por um lado, a atrasos na entrega de avisões que não deixou aproveitar em pleno as rotas para o Brasil numa altura de Mundial de Futebol, e por outro, a greves.

Segundo o dirigente sindical o que está em causa "é uma questão ideológica do Governo que quer destruir o poder reivindicativo dos sindicatos em Portugal".

Sobre a adesão à greve, o responsável do SPAC voltou a afirmar que apenas 30% dos pilotos estão a trabalhar quando, ainda hoje, a TAP divulgou que 70% dos voos programados até às 17:30 tinham sido realizados.