Um acordo decisivo sobre a Grécia pode acontecer só daqui a cerca de um mês, avisou esta sexta-feira o comissário europeu Pierre Moscovici, baixando as expectativas sobre a reunião do Eurogrupo da próxima semana.

Em entrevista ao Financial Times, o comissário dos Assuntos Económicos e Financeiros disse que a reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) a 24 de abril não poderá ser uma oportunidade perdida para discutir a situação da Grécia, mas acrescentou que a reunião do Eurogrupo de 11 de maio «certamente será decisiva».

Estas declarações dão novamente a entender que ainda está distante um acordo entre Atenas e os credores oficiais (reunidos no chamado Grupo de Bruxelas, constituído por Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional) sobre as reformas que o Governo liderado por Alexis Tsipras deverá implementar no país em troca da última fatia do seu programa de assistência financeira, de 7,2 mil milhões de euros.

Além disso, reduz as expectativas sobre a reunião informal do Eurogrupo em Riga (capital da Letónia), a 24 de abril, a data inicialmente apontada para um entendimento que permitisse superar o impasse em que está o atual plano de resgate grego, quando os cofres públicos helénicos estão a ficar vazios.

O Eurogrupo de 11 de maio, que é agora apontado como o momento «decisivo», acontece na véspera de a Grécia ter de devolver mais de 700 milhões de euros ao FMI

O comissário Pierre Moscovici, que está nos Estados Unidos a participar na reunião da Primavera do FMI juntamente com o comissário para o Euro, Valdis Dombrovskis, disse ainda que é preciso que haja mais progressos nas negociações.

Já na quinta-feira, a Comissão Europeia endureceu o tom e assumiu que não está satisfeita com os progressos feitos até agora, com o porta-voz do executivo comunitário a defender que é preciso «intensificar» os trabalhos.

Atenas está desde fevereiro - quando foi prolongado o atual programa de resgate, até junho - em negociações com os credores oficiais sobre as reformas a adotar no país.

Apesar de já ter apresentado várias listas com propostas de reformas, as instituições continuam a exigir medidas mais 'aceitáveis', sobretudo em termos de finanças públicas, pensões, legislação laboral e privatizações.

Um eventual default da Grécia, por incumprimento de pagamentos, e a saída da zona euro continuam a ser falados e, em vários momentos, cada vez mais ‘alto', o que levou, já por várias vezes, as instituições europeias a garantirem que não estão a ser feitos quaisquer preparativos para um ‘Grexit'».

Na quinta-feira, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, afastou a possibilidade de um adiamento nos reembolsos que a Grécia deve fazer à instituição.

Já em entrevista ao Huffington Post, o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, avisou que o país pode entrar em default, não honrando os seus compromissos, se não houver um acordo que permita ao país aceder aos financiamentos dos credores oficiais, uma vez que está praticamente fora dos mercados.

Atenas tem de pagar no total mil milhões de euros aos credores a partir de 06 de maio e perto de 9 mil milhões de euros em julho e agosto.

Este sábado à tarde reúne-se o Grupo de Bruxelas para preparar o encontro informal dos ministros das Finanças da zona euro da próxima sexta-feira.