O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga esta sexta-feira a estimativa rápida das contas nacionais do segundo trimestre deste ano.

Segundo a média das previsões dos analistas contactados pela Lusa, a economia portuguesa deverá ter crescido 1,5% em termos homólogos e 0,5% em cadeia.

Entre as previsões, a mais pessimista é a do Montepio e a mais otimista a do Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica.

O Montepio espera que a economia cresça "entre 0,4% e 0,5%" no segundo trimestre face ao trimestre anterior e "cerca de 1,5%" em relação ao período homólogo, uma "ligeira aceleração" que José Miguel Moreira, analista do Departamento de Estudos do banco, justifica com o comportamento da procura interna (pelo aumento do investimento e do consumo interno), bem como com as exportações líquidas.

O economista explica ainda à agência Lusa que a descida da taxa de desemprego de 13,7% no primeiro trimestre para 11,9% no segundo contribuiu para a estimativa de crescimento económico do Montepio, já que este comportamento deixa "boas indicações para o comportamento da atividade nesse trimestre, atendendo à estreita relação existente entre o emprego e a atividade" económica.

O BBVA prevê que a recuperação económica de Portugal "continue a um ritmo similar ao do primeiro trimestre de 2015, com um crescimento [em cadeia] de cerca de 0,5%", admitindo que "esta estabilidade no ritmo de expansão se prolongue no que resta do ano".

Também o BPI estima que a economia portuguesa cresça 0,5% no segundo trimestre face ao primeiro e 1,6% em termos homólogos, "o que a confirmar-se representará uma aceleração" face aos três meses anteriores.

"A recuperação continua a beneficiar do bom desempenho do setor exportador – bens e serviços –, mas também de sinais de melhoria na procura interna, nomeadamente investimento e consumo privado, refletindo a melhoria da confiança dos agentes económicos e ganhos de rendimento, sobretudo associados à reposição parcial de salários no setor público", explica a analista financeira do Departamento de Estudos Económicos do BPI Teresa Gil Pinheiro.

Finalmente, os economistas do NECEP, da Universidade Católica, esperam crescimentos em cadeia de 0,7% e homólogo de 1,7% no segundo trimestre do ano, mas alertam que, a verificar-se, este desempenho pode estar influenciado por "fenómenos estatísticos pontuais, pelo que devem ser lidos com prudência".

O NECEP destaca ainda que a economia portuguesa "continua a sua trajetória de recuperação" e que "pode já estar a beneficiar de sinais mais consistentes de recuperação do investimento", mas considera que "a generalidade dos indicadores de atividade económica é consistente com uma fase de recuperação cíclica".

As previsões para o crescimento global de 2015, por seu lado, oscilam entre os 1,7% do Montepio e os 2,1% do NECEP, antecipando o BPI um crescimento anual de 1,8% e o BBVA de 2%. O Governo espera que o PIB aumente 1,6% este ano.

No primeiro trimestre, a economia aumentou 0,4% em cadeia e apresentou um crescimento homólogo de 1,5%, de acordo com os números divulgados pelo INE em maio.