O Fundo Monetário Internacional mantém o pessimismo em relação ao desempenho da economia portuguesa. No relatório completo das previsões para a economia mundial, divulgado esta terça-feira, três dias antes do início das reuniões de Primavera, o FMI estima para Portugal um crescimento de apenas 1,4% este ano e 1,3% em 2017.

São, de resto, valores iguais àqueles que já tinham sido divulgados no início de abril, a propósito da terceira avaliação pós-programa da troika.

Outra previsão a ter em conta é que o ritmo de crescimento deverá desacelerar até 2021, ano em que o PIB deverá aumentar 1,2%.

No caso do desemprego, para a instituição liderada por Christine Lagarde, a taxa deverá descer para 11,6% este ano, sendo que o Governo espera um recuo mais robusto, para 11,3%. Já para o ano que vem, o FMI antecipa uma redução para 11,1%, número que também fica acima das estimativas do Executivo socialista.

Logo no início de abril, o FMI sublinhou o seu pessimismo em comparação com aquilo que o Governo espera para este ano, não acreditando que se consiga alcançar a meta do défice de 2,2% prometida a Bruxelas. A estimativa é que fique nos 2,9% do PIB este ano, se não houver medidas adicionais.

Por isso, insta a equipa de António Costa a ter um plano B, sugerindo mesmo o caminho a seguir e que passa, defende, por adiar o fim dos cortes salariais e da sobretaxa.

Ora, estas são medidas que o Executivo prometeu começar a aplicar ainda este ano e, na reação a este aviso do início do mês, o tom foi de contestação. Para o Governo, as previsões do FMI para 2016 "não encontram apoio nos desenvolvimentos verificados desde janeiro, como sejam a rigorosa execução orçamental dos primeiros dois meses do ano, as colocações de dívida bem-sucedidas e o reforço dos indicadores de confiança das famílias e das empresas".

O Governo reafirmou o "empenho" para alcançar as metas com que se comprometeu, com uma execução "rigorosa" do Orçamento e prometendo trabalhar de forma "franca e aberta" com o FMI, que se deslocará a Lisboa em junho. 

O CDS-PP considerou que não é uma boa notícia Portugal estar permanentemente "sob alerta e no radar das revisões em baixa" e sublinhou a necessidade de o país trabalhar para enfrentar uma conjuntura internacional adversa.

"Obviamente que isto nos preocupa e sem dúvida que não é uma boa notícia Portugal estar permanente sob alerta e no radar internacional das revisões em baixa quer do crescimento ou das revisões em alta do desemprego", afirmou a deputada do CDS-PP Cecília Meireles.