À semelhança do mês passado, o setor automóvel e construção estão destaque na recuperação económica, segundo o Indicador de Tendência do ISEG, que continua no nível mais elevado em 10 anos. Embora os últimos dados, de abril, sugiram que o motor da economia - as exportações - tenham abrandado, é possível manter a previsão de crescimento entre 2,4% e 2,8% para o conjunto de 2017. 

A síntese de conjuntura deste mês de junho elaborada pelo Instituto Superior de Economia e Gestão tem por base dados oficiais do INE, como o crescimento de 2,8% do Produto Interno Bruto entre janeiro e março; o volume de negócios nos serviços e comércio a retalho a crescer, com as vendas de automóveis ligeiros de passageiros aumentarem 13,4% em maio, “sugerindo que o crescimento do segundo trimestre será bastante superior ao do primeiro trimestre (2,5%)”.

A ajudar, também, está o sentimento económico, que subiu e atingiu novos máximos em maio e a confiança dos consumidores que teve uma “subida relevante”.

A expansão económica até março aconteceu graças sobretudo à procura interna, menos da procura externa líquida (exportações de bens e serviços líquidas de importações de bens e serviços), nomeadamente o comércio de bens. E os dados já de abril sugerem um crescimento marginal deste tipo de exportações (0,4%).

Porém, apesar de um ritmo mais brando dos bens vendidos por Portugal ao estrangeiro, o ISEG diz que isso pode ser compensado pelas exportações turísticas que, sabemos, são muito importantes para o país.

Em todo o caso, um contributo da procura externa líquida tão positivo quanto o registado no 1º trimestre não parece que possa ser generalizável à totalidade do ano”.

Ao mesmo tempo, e pela positiva, o investimento está a aumentar, sobretudo na construção. As vendas de cimento aumentaram 24% em maio (com correção de efeitos de calendário e outros, a variação homóloga estimada supera 13%) e “põe em evidência a importante melhoria relativa do investimento em construção que se está a registar em 2007”. Tendo sido um dos setores mais fustigados pela crise, a construção está a dar mostrar de uma recuperação sustentável este ano.

Pondo os pratos na balança e “tendo por base um maior crescimento da procura interna e num papel menos positivo da procura externa líquida”, ao ISEG é possível continuar a vislumbrar um crescimento entre 2,4% e 2,8% para o conjunto deste ano. A mesma previsão que tinha há um mês.

A meta inscrita no programa de Estabilidade e Crescimento apresentado pelo Governo é de um crescimento do PIB de 1,8%. O ISEG está mais otimista, sendo que o próprio ministro das Finanças já admitiu que podem vir aí crescimentos trimestrais acima de 3%. O Presidente da República também diz que é possível.