A Universidade Católica considera que os números do PIB conhecidos esta sexta-feira apontam para uma «recuperação cíclica», mas alerta que «não é ainda clara a recuperação do investimento» e que parte do crescimento se deveu a «algum relaxamento orçamental».

A economia portuguesa caiu 1,4% no conjunto de 2013, mas registou um crescimento homólogo de 1,6% no último trimestre do ano, de acordo com os números hoje avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Para o Núcleo de Estudos de Conjuntura sobre a Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica, «estes dados alimentam a hipótese da recuperação cíclica da economia portuguesa, sendo os sinais positivos inequívocos», considerando, no entanto, que o crescimento do último trimestre de 2014 parece ter sido motivado pelo consumo privado e pela procura externa, «não sendo ainda clara a recuperação do investimento que permanece em patamares historicamente muito baixos».

Além disso, os economistas do NECEP referem que «parte do crescimento foi suportado por algum relaxamento orçamental», que já tinha motivado uma revisão em alta do crescimento observado no 2.º trimestre.

De acordo com a estimativa rápida do Produto Interno Bruto (PIB) do INE, a economia registou uma queda menos acentuada do que a última previsão do Governo (-1,8%), mas mais profunda do que a primeira estimativa oficial, que apontava para uma contração de 1%.

Alinhada com as estimativas dos credores internacionais, a previsão inicial do Governo foi revista para os -2,3% ao longo da sétima revisão regular do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), tendo depois sido novamente melhorada para os -1,8% em 2013.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e o Banco de Portugal tinham apresentado previsões mais otimistas do que as do executivo, antecipando uma contração de 1,7% e de 1,5%, respetivamente.

O INE justifica esta evolução, que acabou por ser mais positiva do que todas as previsões, com a recuperação da procura interna, «que apresentou um contributo positivo para a variação homóloga do PIB, o que não se verificava desde o quarto trimestre de 2010, refletindo principalmente o comportamento do consumo privado».

Também a procura externa líquida teve um contributo positivo, «devido à aceleração das exportações de bens e serviços», refere o INE.

Em termos homólogos, o PIB português cresceu 1,6% entre outubro e dezembro de 2013, interrompendo uma série de 11 trimestres consecutivos de contração homóloga.

Comparativamente com o trimestre anterior, o PIB aumentou 0,5% em termos reais no último trimestre do ano passado, tendo registado um crescimento em cadeia pelo terceiro trimestre consecutivo (+0,3% no terceiro trimestre e +1,1% no segundo trimestre de 2013).

Os analistas contactados pela Lusa tinham avançado com previsões que apontavam que a economia portuguesa tivesse registado um crescimento entre os 1,1% e os 1,3% no quarto trimestre de 2013 face ao mesmo período de 2012 e uma queda de 1,5% do PIB para o conjunto do ano.