O bilionário egípcio, Naguib Sawiris, está preparado para investir na operadora de telecomunicações brasileira Oi, na qual parte da antiga Portugal Telecom – Pharol – detém uma posição indireta de cerca de 23%, noticia a Bloomberg.

O bilionário, que detém uma participação maioritária na Orascom Telecom Media e Tecnologia, do Egito, disse que a Oi tem um grande potencial se a dívida for reestruturada, e se for assegurado que a empresa avança para um aumento de capital e tem um plano de crescimento bem definido.

Uma manifestação de interesse que surge no mesmo dia em que a Oi apresentou um pedido judicial de proteção contra credores, no valor de 16,8 mil milhões de euros para evitar a falência. O maior pedido do género na história do Brasil.

“A Oi precisa de um acionista com um forte conhecimento de telecomunicações para resolver os problemas operacionais, além dos financeiros”, disse Sawiris em conversa telefónica com a Bloomberg.

O egípcio não é o único a mostrar interesse na maior empresa global de telecomunicações do Brasil. Em Fevereiro, o russo, Mikhail Fridman, apresentou uma proposta para ajudar a financiar a fusão entre a Oi a Telecom Italia no Brasil, a TIM.

Sawiris entende que a fusão entre a Oi e a TIM “faz muito sentido” mas primeiro a Oi precisa de se reequilibrar. O empresário diz que vê com bons olhos em negócio com Fridman, uma parceria formal.

O bilionário não esclareceu, no entanto, que contornos poderia tomar o seu investimento. O jornal “Estado de S. Paulo” foi o primeiro a dar conta do interesse de Sawiris num eventual negócio.

Com o anúncio feito pela Oi, esta manhã, fica ainda mais difícil a situação dos obrigacionistas da antiga Portugal Telecom. Aos todos são cerca de 3,750 mil milhões de euros que teriam que ser reembolsados até 2025.

O caso mais preocupante é, para já, as obrigações que vencem a 26 de julho. Uma linha cujo reembolso ronda os 231 milhões de euros. Na altura da sua constituição, em 2012, eram 400 milhões, que foram subscritos ao balcão por cerca de 20 mil investidores, 18 mil dos quais subscreveram até 50 mil euros cada. Mas em 2015, com a alteração de emitente, a que levou o desmembramento da PT, foi dada aos obrigacionistas a hipótese de venderem e não passarem para a PT Internacional Finance que ficou com estas obrigações e com outras de diferentes maturidades.

Na sequência do comunicado da empresa brasileira, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários decidiu suspender ações da Pharol e as obrigações da PT a retalho.