O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Peter Praet, afirmou estar satisfeito com os resultados obtidos por Portugal com as reformas executadas, mas alertou para a fadiga que as mesmas podem criar.

«Estou satisfeito com aquilo que tem sido feito por Portugal. Hoje as reformas estão a mostrar que dão frutos.

Mas muitas vezes há o risco de fadiga em relação a essas reformas. E a pergunta é sempre a mesma: será que as autoridades vão encontrar o apoio da população e garantir a propriedade do processo de reforma», disse Peter Praet.

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O responsável, que integra o conselho executivo do BCE, falava na conferência "The Lisbon Summit", organizada pela revista The Economist, que decorre hoje e na quarta-feira no Hotel Cascais Miragem.

Apesar das boas notícias de Portugal, cujos resultados alcançados considera «muito importantes», Peter Praet frisou que um dos maiores desafios é a manutenção da realização de reformas.

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Sobre a saída de Portugal do programa de assistência financeira, o responsável disse que Portugal não tem necessariamente de sair à irlandesa ou com um programa cautelar, defendendo que há outras formas, nomeadamente uma monitorização posterior.

«A solução é simples: reformar, reformar, reformar»

«Se se avançar para um programa cautelar, entra-se num sistema que aparece como uma espécie de seguro, o que mostra que não se está tão confiante de que o país o faça sozinho», afirmou.

No discurso que foi distribuído à comunicação social, Peter Praet antecipou ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país poderá crescer 13,5% nos próximos dez anos com uma implementação rápida das reformas dos mercados de produto, trabalho e Estado social.

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«Se Portugal acabar com as lacunas ao nível das melhores práticas, através de uma rápida implementação das reformas dos mercados de produto, de trabalho e do Estado Social, poderá registar um aumento do PIB per capita de 13,5% em dez anos», lê-se no documento.