O embaixador do Peru em Portugal convidou as empresas portuguesas a concorrerem às obras de quase 25 mil milhões de euros que o país vai gastar em infraestruturas, prometendo igualdade de condições no acesso aos concursos.

Num encontro com jornalistas em Lisboa, Enrique Armando Román-Morey destacou as potencialidades culturais, turísticas e económicas do país, apontando os 31 mil milhões de dólares (cerca de 25 mil milhões de euros), que o país tem previsto gastar, nos próximos dois anos, na construção de infraestruturas em vários setores da economia.

«Temos um plano de investimentos de 31 mil milhões de dólares para os próximos dois anos», afirmou o embaixador, salientando que «a mudança de governo não afeta o crescimento» nem as prioridades em termos de investimento, até porque «existe um artigo na Constituição que garante igualdade no tratamento das empresas estrangeiras face às nacionais», sublinhou o embaixador, quando explanava as vantagens do país, entre as quais está a possível abertura de uma ligação aérea direta entre Lisboa e Lima no próximo ano.

Na iniciativa que pretende passar a ideia de que «O Peru está na moda», Enrique Román-Morey deixou a apresentação dos números para o consultor económico da embaixada peruana em Lisboa, que apontou as altas taxas de crescimento (a quarta maior do mundo na média entre 2006 e 2013, com 7% ao ano), a liderança no crescimento na América Latina, com 6,4% ao ano entre 2003 e 2013, a redução da pobreza, e a segunda posição na América Latina no ranking 'Doing Business' e na análise da Forbes sobre os países mais atrativos para investir.

A ascendência asiática do conselheiro económico da embaixada, Juan Luís Kuyeng, foi usada pelo próprio para destacar a importância da comunidade asiática, nomeadamente chinesa e japonesa, que beneficia de acordos comerciais com o Peru, o que significa que "o acesso a um mercado de mais de 4 mil milhões de pessoas".

Um dos exemplos mais curiosos das vantagens de investir no Peru tem a ver com o Brasil, explicou o conselheiro, dizendo que devido aos acordos de livre comércio entre os dois países, uma empresa portuguesa que queira exportar para o Brasil tem mais vantagens se produzir no Peru e depois exportar para o país vizinho, poupando as altas taxas alfandegárias por que o Brasil é conhecido e criticado pelas instituições económicas internacionais.

Esta proximidade linguística entre Portugal e Brasil seria especialmente vantajosa no estabelecimento de sinergias nos 'call-centers', exemplifica Juan Luís Kuyeng, apontando este como um dos setores prioritários de investimentos, a par dos agronegócios, pescas, setor florestal e têxtil, minérios, energia e petroquímica, para além do setor imobiliário, dos serviços e do turismo.

Presente na reunião organizada pelo Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL), que juntou em Lisboa alguns jornalistas e uma representante da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, o administrador da farmacêutica Atral-Cipan Carlos Araújo, atestou o bom clima de negócios que existe no país: «É fácil instalar uma empresa no Peru porque o sistema fiscal e legal é transparente e estável, porque há bons serviços, bons operadores logísticos, o sistema financeiro é muito desenvolvido e é possível financiar a atividade sem precisar de garantias ou de cartas de conforto de Portugal», cita a Lusa.

A iniciativa do Peru de promoção da imagem externa acontece num contexto de aprovação de uma reforma fiscal que pretende reduzir o imposto sobre as empresas de 30 para 26% até 2019, de acordo com uma análise da Economist Intelligence Unit (EIU), a unidade de estudos económicos da revista The Economist.

Alonso Segura, ministro da Economia e Finanças daquele país latino-americano, defende que a reforma fiscal, em conjunto com outras medidas de estímulo à economia anunciadas desde maio, permitirá ao Peru crescer entre 5 e 5,5% no próximo ano, acelerando para 6% em 2016, diz a EIU.