Com as férias à porta, é preciso dinheiro para gozar uns dias de descanso fora. Há pessoas que caem na tentação de pedir um crédito pessoal para esse efeito. Devem ou não fazê-lo?

Mais uma vez, a Deco ajuda-nos a perceber os riscos associados, bem como aqueles que estão inerentes aos pagamentos com cartão de débito ou de crédito, para não sermos enganados.

Pedir um crédito pessoal para viajar ou fazer férias é uma boa ideia?

Nunca é boa opção. O melhor mesmo é ir poupando com antecedência. Se, mesmo assim, não tiver dinheiro para pagar a pronto, pode sempre seguir dicas que permitem planear umas férias mais baratas.

Em Portugal, é  verdade que muitas famílias têm um orçamento apertado e isso dificulta as escolhas nas férias.

“O ideal é poupar o máximo para pagar as despesas a pronto ou socorrer-se de meios de pagamento sem juros. Se pondera recorrer ao crédito, considere as modalidades de pagamento mais baratas”, aconselha Carolina Gomes, da Deco.

Há agências de viagens que prometem 0% de juros. É mesmo assim?

É habitual, no verão, multiplicarem-se as ofertas de pacotes de férias por parte das agências de viagens. Se a proposta encaixar que nem uma luva naquilo que pretende e não tiver juros associados, pode ser uma opção a ter em conta, que não acarreta grandes preocupações.

“Mas fique atento ao preço das viagens: 0% de juros nem sempre é sinónimo de pacote mais barato. Antes de contratar, pergunte o preço em várias agências e faça contas”.

Devo usar o cartão de crédito?

Pode ser outra forma de fazer férias sem juros se liquidar a dívida nos 20 a 50 dias seguintes. Todavia, esta modalidade fica limitada ao valor do crédito disponibilizado pelo banco”, o chamado plafond.

Para quem queira ir de férias para um destino mais caro, que nem a agência nem o cartão permitam pagar sem custos acrescidos, existem modalidades de pagamento com juros. Elas passam pelo crédito com penhor de uma aplicação financeira, como uma conta-poupança ou um fundo de investimento.

Uma solução mais barata do que o crédito pessoal tradicional, já que o cliente apresenta uma garantia real.  Caso não tenha uma garantia, o crédito pessoal também é solução, mas a evitar, pois além de ter de pagar num determinado prazo, a maioria dos bancos exige seguro de vida e alguns o de proteção de crédito.

Pagar com cartões de débito e de crédito é uma operação habitual no dia-a-dia, mas nas férias pode trazer alguns dissabores. Quais os riscos associados?

Quando faz um pagamento, seja numa loja ou num restaurante, por exemplo, o consumidor “nunca deve perder o cartão de vista e certificar-se de que é passado num único equipamento, para não ser clonado”. A Deco aconselha ainda que se exija sempre um comprovativo da compra.

Depois, os cuidados que já deve ter no dia a dia quando vai ao Multibanco: certifique-se de que mais ninguém vê o PIN e que a máquina não foi manipulada ou vandalizada.

Se, na sua caixa de e-mail, receber mensagens que aparentam ser do banco a pedir para aceder a um link, não o faça. É possível que se trate de uma fraude, em que os hackers tentam aceder a dados confidenciais para roubarem dinheiro das contas.

“Nunca divulgue os dados do cartão ou de acesso a algum serviço online de gestão da conta do cartão”.

E se houver o azar de perder o cartão ou ele ser roubado?

Em caso de perda, extravio ou roubo do cartão, o consumidor deve contactar e de imediato a entidade emissora, a Unicre – que é a empresa especializada na gestão e emissão de cartões, a SIBS – que gere a rede multibanco, ou o próprio banco.

Tudo para que o cartão seja cancelado o mais rapidamente possível. A partir desse momento, todos os movimentos eletrónicos são da responsabilidade do emissor do cartão. Mas há exceções: se tiver existido negligência ou dolo na utilização.

Imprescindível também é avisar as autoridades e ficar com uma prova da participação do roubo, perda ou extravio.

Se tiver dúvidas sobre como gerir as finanças nas férias envie para o e-mail Economia24@tvi.pt