A imposição de retirar antioxidantes de conservação da pera rocha do Oeste, a partir de agosto, põe em risco o setor, alertou hoje a Associação Nacional dos Produtores de Pera Rocha (ANP).

«Em vez de vendermos as peras durante 11 meses, teremos de as vender em seis e o setor vai perder rentabilidade, porque contribui para aumentar a ofertar e reduzir os preços, as exportações e os postos de trabalho», afirmou.

Os antioxidantes são aplicados na fruta, com o intuito de aumentar o seu tempo de conservação e, em consequência, de venda nos mercados sem perecer.

Como janeiro de 2015 deve ser a data a partir da qual deixa se ser possível usar o único produto permitido no mercado e a aplicação dos antioxidantes é feita logo após a colheita, a legislação tem efeito prático em agosto, quando as peras começam a ser colhidas das árvores, explicou à agência Lusa Sofia Comporta, secretária-geral da ANP.

A União Europeia (UE) fez sair legislação a proibir o uso primeiro do antioxidante «difenilamina», conhecido por «dpa», desde o início de 2014 (regulamento nº 772/2013 de 8 de agosto).

Os últimos três anos funcionaram como prazo de adaptação, em que o setor deveria encontrar alternativas eficazes que, apesar dos vários estudos de investigação em curso, ainda não existem, e pode beneficiar de autorizações especiais para usar um outro antioxidante, a "etoximina".

Contudo, legislação que tem vindo a ser discutida pelo Parlamento Europeu alterou para a taxa zero o limite de uso de resíduos, impedindo os produtores de pedir autorizações especiais aos respetivos estados-membros, e deverá publicar legislação proibitiva desse produto para entrar em vigor em janeiro de 2015, esclareceu a responsável.

A deteção de uma substância desconhecida na casca das peras quando cozidas, que poderia ter riscos para a saúde, obrigou a UE a ser menos permissiva.

Além de fragilizar o setor nacional da pera, países produtores de peras, como a Argentina, que exportam para toda a Europa, e onde não existe restrições ao uso de produtos antioxidantes, vão perder o mercado europeu se essas alternativas não surgirem.

«Se houver uma crise grande, a Europa deixa de ter fruta» nacional ou importada, alertou Sofia Comporta.

O problema preocupa a fileira da pera rocha do Oeste que, a um mês e meio de começar mais uma colheita, já não pode vir a aplicar o antioxidante que, a partir de 2015, deixa de poder ser utilizado, de forma a poder escoar toda a produção, grande parte da qual é conservada em frio para ser vendida de inverno a melhores preços.

A pera rocha nacional é produzida (99 por cento) nos concelhos da zona oeste de Lisboa entre Mafra a Leiria numa área de cultivo de 11 mil hectares.

A fileira dá trabalho a 4.700 pessoas, empregando diariamente 13 mil pessoas na altura da colheita.