Obrigacionistas da antiga Sociedade Lusa de Negócios (SLN), detentora do BPN, mandataram esta quinta-feira, em Leiria, três pessoas para acompanharem o eventual processo especial de revitalização (PER) da Galilei, cuja entrada em tribunal está “iminente”, disse à agência Lusa um responsável.

“Foram mandatadas três pessoas para entrarem no processo de negociação do PER e foi suspensa esta reunião e marcada outra para 27 de outubro”, novamente em Leiria, afirmou António Henriques, representante comum dos obrigacionistas, adiantando que “supostamente” o processo entra em tribunal na sexta-feira.

António Henriques declarou que os obrigacionistas estão “preocupados com o PER porque vai haver cortes”.

“As pessoas certamente têm consciência de que raramente há um PER em que não haja redução dos seus créditos e isso temos de salvaguardar para que as pessoas percam o mínimo possível”, sustentou, admitindo, contudo, que “vão perder certamente algum”.


António Henriques considera que é “um risco mais grave se a Galilei [ex-Sociedade Lusa de Negócios/detentora do BPN] for à insolvência”, notando que “o PER tem sempre como objetivo revitalizar a empresa”.

“Desce o nível de endividamento, os credores vão perdoando uma parte da dívida e há mais hipótese de a empresa ganhar fôlego economicamente”, referiu.


Sobre a reunião desta quinta-feira, que juntou cerca de 300 obrigacionistas da antiga SLN, detentora do BPN, para decidir eventuais ações de luta face ao incumprimento do pagamento relativo às obrigações “SLN Rendimentos Mais 2004”, que venceram em outubro de 2014, António Henriques explicou que face ao PER esta situação fica suspensa.

A 11 de dezembro de 2014, os obrigacionistas da antiga SLN, detentora do BPN, aprovaram em assembleia-geral a proposta de pagamento da Galilei, de um total de 50 milhões de euros de obrigações subordinadas “SLN Rendimentos Mais 2004”, que tinham vencido dois meses antes.

Esta proposta, aprovada com 66,9% dos votos, previa o pagamento de 10% do capital (5 milhões de euros) em 30 de junho de 2015, de 20% (10 milhões de euros) em 31 de dezembro de 2015 e os restantes 30% em 11 de maio de 2016, segundo fonte oficial da Galilei (ex-Sociedade Lusa de Negócios/detentora do BPN).

António Henriques adiantou que “em causa está o pagamento a 496 pessoas, 300 das quais têm 50 mil euros naquelas obrigações”.


António Henriques, também presidente da Associação Nacional de Defesa dos Clientes do BPN, acrescentou que, face ao incumprimento do pagamento, este mês entraram pelo menos “meia dúzia de ações judiciais contra a Galilei e BIC”, que comprou o BPN, a reclamar o valor das obrigações, desconhecendo contudo o montante global destas ações.