A empresa finlandesa AW Energy anunciou esta quarta-feira, em Peniche, um investimento de 25 milhões de euros na construção de um parque para produção de energia das ondas, criando condições para em 2017 começar a sua exploração comercial.

John Lilijelund, presidente executivo da empresa, disse à agência Lusa que o investimento, comparticipado em 9,1 milhões de euros pela União Europeia, é destinado à construção, montagem e instalação, no fundo do mar ao largo da praia da Almagreira (Peniche), de 16 máquinas, enormes pás que oscilam com o movimento das correntes, possuindo uma potência de 350 quilowatts (KW) cada uma e 5,6 megawats (MW) na totalidade.

O responsável anunciou que a AW Energy vai avançar com a instalação da tecnologia «wave roller» em duas fases distintas para aumentar a capacidade de produção, estando a primeira a iniciar-se com a produção e montagem das 16 máquinas nos Estaleiros Navais de Peniche.

«O próximo passo é instalar mais uma unidade no próximo verão e as restantes dentro dos próximos três anos, para em 2016/2017 entrarmos na fase de exploração comercial do projeto», estimou.

A três pás da unidade instalada na Almagreira conseguem produzir por ano 10 MW/hora cada uma e no total 30 MW/hora por ano.

«Nos períodos em que a tecnologia esteve no fundo do mar, as turbinas nunca tiveram paradas. Os testes tiveram grande sucesso e temos resultados para entrar na fase comercial do projeto porque somos capazes de captar energia das ondas de forma eficiente», concluiu John Lilijelund, cuja empresa está «totalmente apostada em investir em tecnologia».

A energia produzida é hoje suficiente para alimentar uma aldeia com 120 habitações e 360 habitantes.

A expansão do projeto e a eficiência da tecnologia levam os investigadores a prever uma produção de 11,4 gigawatts/hora por ano, suficiente para abastecer 5500 habitações e 16500 habitantes, equivalente a metade do concelho de Peniche e superior à população de concelhos como Arruda dos Vinhos, Bombarral ou Óbidos.

Os promotores equacionam a hipótese de avançar com a construção de unidades com uma potência de 500 KW ou até 1MW e, numa segunda fase, «expandir os objetivos e instalar mais unidades», dependendo do retorno económico.

O objetivo da empresa AW Energy passa no futuro criar um grande parque mundial de energia das ondas, com uma potência instalada entre os 50 e os 100 megawatts (MW), um investimento que deverá ascender a 100 milhões de euros e colocar Portugal na linha da frente no segmento da produção mundial de energia a partir do movimento das ondas.

Desde 2007 que a tecnologia tem vindo a ser testada, pela primeira vez a nível mundial, no fundo do mar, a cinco milhas da costa e, desde 2012, que a energia produzida está a ser injetada na rede, estando a venda da energia a cargo da Eneólica.