Nomeado em julho, segundo fontes oficiais da Pemex ouvidas pelo jornal espanhol El Diario, Paulo Portas vai ser consultor da Mex Gas Enterprises, uma subsidiária da Pemex, que se dedica em Espanha à comercialização de gás natural.

Madrid é onde está a sede da nova empresa que tem agora como colaborador o antigo presidente do CDS-PP. Antes, no início de junho, Portas renunciou ao cargo de deputado, após ter anunciado em dezembro não pretender candidatar-se à liderança do partido no congresso de Março.

Livre de cargos políticos, o ex-vice-primeiro-ministro passou a integrar o conselho consultivo internacional para a América Latina da construtora Mota-Engil. Agora, junta o cargo de consultor da Mex Gas Enterprises.

Das Ilhas Caimão para Espanha

A filial que agora nomeou Portas como conselheiro foi criada em junho de 2014, quando a Pemex saiu do capital da Repsol. Transferiu então para Espanha duas holdings, que até essa altura estava situadas no paraíso fiscal das Ilhas Caimão.

Agora, o ex-político conservador, que domina cinco idiomas (entre eles, um perfeito espanhol), vai assessorar também a Pemex", é como se refere o jornal El Diario a Paulo Portas, lembrando que, em junho de 2014, numa visita do presidente do México a Portugal, a petrolífera assinou um memorando de entendimento com a Galp.

Desse acordo soube-se apenas que previa a “troca de informação e/ou desenvolvimento de projetos”, segundo revelou a empresa mexicana. Ainda assim, o seu conteúdo foi considerado "confidencial" e só deverá ser do conhecimento público até Outubro de 2026.

O El Diario lembra também que, enquanto vice-primeiro-ministro português, Paulo Portas fez duas visitas oficiais ao México, em 2013 e 2014, que incluíram missões empresariais.

Crise também afeta Pemex

Apesar de ser a maior empresa mexicana, a Pemex conhece tempos adversos. De acordo com o portal espanhol El Confidencial, regista 14 trimestres consecutivos de prejuízos e uma diminuição da produção de petróleo ao longo dos últimos 11 anos.

A petrolífera fechou o primeiro trimestre deste ano com uma dívida de 93 milhões de dólares (84 milhões de euros) e terá já negociado um acordo com um fundo de capital privado para conseguir um empréstimo de 500 milhões de dólares (450 milhões de euros).