O presidente do grupo Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, disse hoje que a austeridade mantém-se na cabeça dos portugueses e antecipou que o padrão de consumo não vai mudar tão cedo.

«O mindset de austeridade continua na cabeça do nosso consumidor e penso que não vai mudar tão cedo. O consumidor continua muito restritivo e seletivo nas suas compras», disse Pedro Soares dos Santos, durante a conferência de imprensa para a apresentação dos resultados de 2013, em Lisboa.

O presidente do grupo não prevê, por isso, para já e nem durante este ano, mudanças no padrão de consumo, dizendo até que «2014 vai ser muito duro», depois da carga fiscal ter voltado a aumentar.

«Não vejo aqui onde há um certo alívio, pelo menos no mindset das compras», reforçou.

Para Portugal, o responsável afirmou que o grupo prevê investir cerca de «100 milhões de euros no ano que vem» e construir um novo grande centro logístico no norte, com 50 mil metros quadrados.

«Os investimentos no país não vão desaparecer, mas temos de reconhecer que Portugal é hoje um país maduro e a expansão que é possível na Polónia e Colômbia está, de certa forma, a chegar ao limite em Portugal. Vamos encontrar novas formas de manter o investimento na terra onde nascemos, de onde somos e onde gostamos de estar», disse.

Questionado sobre se está preocupado com a queda das margens da marca Biedronka (Polónia), no último trimestre do ano passado e o seu impacto negativo hoje registado na cotação das ações do grupo, Pedro Soares dos Santos disse:

«A Jerónimo Martins tem uma posição de liderança na Polónia e de market share que não vai dar hipótese a ninguém de alguma vez pensar retirar-nos essa posição».

O presidente disse que vai continuar a reforçar a posição da empresa na Polónia, frisando que o grupo está muito seguro e confiante naquilo que está a fazer e o Conselho de administração «muito satisfeito» com os resultados obtidos.

Para a Colômbia, onde o grupo iniciou a operação no ano passado, Pedro Soares dos Santos disse ter uma grande ambição que passa por esta representar um dia no mínimo 25% da faturação do Jerónimo Martins.

«Isto é um sonho. Temos que acertar com a forma, ter a certeza que o nosso negócio é muito bem aceite e que é aquilo que os colombianos querem. Entre ter um sonho e uma realidade há aqui um trabalho imenso», frisou.

O presidente descartou, para já, a possibilidade de entrada no México, mas aproveitou para dizer que o seu «país de ambição» é a Ucrânia.

«Mas ainda é cedo para ter outras ambições. Começámos a

operação na América Latina no ano passado, temos de consolidar a Polónia, queremos manter um balanço forte e vamos concentrar-nos naquilo que temos de fazer, que é muito, antes de pensar noutros voos».

Sobre uma eventual aposta no e-commerce em Portugal, Pedro Soares dos Santos frisou que não conhece uma companhia de retalho na Europa que ganhe dinheiro na área alimentar com o online.

«Temos ódio a negócios que perdem dinheiro. Não gostamos de começar um negócio e não ter uma perspetiva de lucro no tempo», afirmou, acrescentando que o grupo ainda não tem as vendas online no horizonte.