O primeiro-ministro, Passos Coelho, confirmou que o grupo de trabalho criado para encontrar uma alternativa ao chumbo do Tribunal Constitucional ao corte das pensões foi entregue ontem e que tanto o primeiro-ministro como a ministra das Finanças ainda não leram o relatório, pelo que o Governo terá agora de encontrar agora «uma solução duradoura».

«Não há uma promessa de baixa do IRS», garante Passos Coelho

«Iremos agora trabalhar nos próximos dias para que até ao fim do mês solução seja apresentada. Isso é inequívoco», adiantou o governante, em entrevista à SIC.

Lembrando que não é o Governo que está a criar ansiedade às pessoas, Passos Coelho sublinhou que em 2015 não vai ser possível repor os salários e pensões, ao nível que estavam em 2010.

«Ainda estamos em processo de redução do défice público, o que significa que as medidas temporárias vão ter de permanecer durante mais algum tempo enquanto não se permitir a sua reversão», afirmou, dando como exemplo o caso da Irlanda.

Passos não se importa de perder eleições, mas não se demite

Reafirmando que os cortes não vão ser alargados, Passos Coelho adiantou ainda que «possivelmente em 2016» será possível eliminar os cortes.

«Não há dúvida que a evolução das pensões não pode deixar de estar relacionada com demografia, ou sustentabilidade ou grau de crescimento da economia, mas isso é a atualização para o futuro. Outra questão é saber como resolvemos duradouramente um problema que existe hoje de insustentabilidade das pensões. Terá de continuar a existir uma redução da pensão porque temos um sistema que não é sustentável», defendeu o governante.

o primeiro-ministro reiterou que até ao final deste mês será encontrada uma solução definitiva declarando: «Tal como o Tribunal Constitucional admitiu, é possível que possa haver uma parte do problema que possa ser resolvido por uma redução do próprio valor da pensão, que nunca será tão grande como é hoje».

«Vamos ser claros quanto a isso: essa contribuição nunca será tão grande como é hoje com a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), e que possa haver outros mecanismos. Terá de haver uma redução da pensão, porque nós temos um sistema que não é sustentável», defendeu.

Quando questionado sobre a proximidade das eleições europeias (e legislativas) com as novas medidas que o Governo vai apresentar, Passos coelho foi peremptório: «Se for preciso pagar um preço elevado para salvar o país da banca rota não me importo de pagar esse preço», disse.

Relativamente às novas medidas nos salários, o primeiro-ministro revelou que haverá uma tabela remuneratória única diferente, na qual os funcionários públicos «irão migrando na medida que as condições orçamentais o permitam», adiantou.