O ministro do Emprego e da Solidariedade Social, Pedro Mota Soares, reafirmou esta quinta-feira que o ajustamento salarial no setor privado já ocorreu, manifestando discordância com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que insiste na flexibilização laboral em Portugal.

Em comunicado divulgado na terça-feira, o FMI insistiu que Portugal tem de ir mais longe na flexibilização do mercado de trabalho, pedindo a Lisboa para resistir às pressões para aumentar a despesa pública.

«O Governo considera que o ajustamento salarial, nomeadamente, no setor privado, já ocorreu e portanto nada justifica que se deem mais passos para fazer mais ajustamentos», considerou Mota Soares em conferência de imprensa semanal após a reunião do Conselho de Ministros.

FMI aprova 10ª avaliação ao programa da troika

O governante lembrou que uma das matérias que esteve em discussão na última avaliação da troika foi a possibilidade de baixar o salário mínimo para os mais jovens e «essa matéria teve a objeção total e frontal do Governo».

«Hoje reafirmamos, como já o dissemos no passado, discordamos de uma parte da troika, de um elemento da troika, neste caso, do FMI», reforçou Mota Soares.

A vice-diretora do FMI, Nemat Shafik, refere num comunicado no qual anunciou a conclusão da aprovação da 10.ª avaliação ao programa de ajustamento de Portugal e o desembolso de uma tranche de 910 milhões de euros, que um «aumento do investimento, em especial no setor transacionável, é necessário para gerar mais emprego e gerar os excedentes externos necessários para anular os desequilíbrios».