O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, acusou esta quinta-feira a Direita de utilizar a técnica de sujar o debate sobre a reversão da privatização da TAP por falta de conteúdo para contestar.

Compreendemos bem a sua técnica de sujar o debate quando não tem nada de factual para trazer ao debate, quando vocês andaram a privatizar às escondidas", afirmou Pedro Marques, em resposta ao deputado do PSD Luís Leite Ramos, que acusou o Governo de "falta de verdade" em relação à entrada de acionistas chineses no capital da TAP e questionou o papel de Diogo Lacerda Machado nas negociações com o consórcio Atlantic Gateway.

Na audição conjunta da Comissão de Orçamento e Finanças com a Comissão de Economia e Obras Públicas, o ministro defendeu o acordo alcançado, que permite ao Estado ser acionista maioritário com 50% do capital da TAP, acusando o anterior Executivo de privatizar a companhia aérea de "forma precipitada e obscura".

O que custa aos deputados da direita é que ficou evidente a insegurança da fase anterior da negociação. Não esperavam que fosse possível chegar a esse acordo: manter um acionista privado de referência, mantendo o controlo estratégico do Estado”, acrescentou Pedro Marques.

Às questões do deputado social-democrata sobre o papel do antigo secretário de Estado Diogo Lacerda Machado nas negociações com o consórcio Atlantic Gateway, o governante reiterou que o advogado, amigo pessoal do primeiro-ministro, António Costa, ajudou o Governo "na fase da negociação do memorando".

Contrataremos uma assessoria jurídica na fase que corresponde à celebração do acordo, como acontece sempre nestes processos", acrescentou.

Sobre a entrada da companhia chinesa HNA no capital da TAP, o ministro que tem a tutela da transportadora aérea disse que "já vinha a ser negociado no tempo do Governo anterior", realçando que "a posição do Estado fica intocada".

No memorando de entendimento que fechou a recompra de ações pelo Estado, lê-se que "o Estado português autoriza desde já a entrada no capital social da Atlantic Gateway pela HNA, em percentagem a acordar entre os acionistas da Atlantic Gateway e a HNA".

Em declarações à Lusa, David Neeleman, que juntamente com o empresário português Humberto Pedrosa constitui o consórcio Atlantic Gateway, garantiu que o grupo acabará por ficar "indiretamente com 10% a 13% da TAP", que o anúncio desta participação deve acontecer "ainda este ano" e que os pormenores da rota com a China "deverão ser conhecidos na mesma altura."