O vice-primeiro-ministro defendeu esta sexta-feira que qualquer saída do programa de assistência é «limpa», ao não implicar segundo resgate, e argumentou que até o BE o admite implicitamente ao reconhecer «um pós-troika», uma «reforma estrutural» do próprio Bloco.

«A mera ideia de que o Bloco de Esquerda admite que há um pós-troika devia ser lida como uma reforma estrutural do próprio Bloco de Esquerda», afirmou o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, no Parlamento, durante uma interpelação ao Governo pelo BE.

A interpelação dos bloquistas tinha como tema: «Balanço do Programa de Assistência Económica e Financeira, avaliação da ação da troika em Portugal e a transição para o pós troika».

«O pós troika, que o BE agora reconhece, depois de muito tempo ter defendido a ideia de um segundo resgate, implicará que, no momento adequado, o Governo tome a decisão adequada. Não há uma saída limpa e uma saída suja, há uma saída limpa diretamente para mercados e há uma saída limpa com o apoio de uma linha de crédito diretamente para mercado», sustentou.

«Faz toda a diferença quanto ao debate que existia há um ano: um só resgate, um segundo resgate», sublinhou.

Na intervenção de abertura do debate, por parte do Governo, Portas quis assinalar o dia «interessante» que o BE escolheu para esta interpelação.

«Hoje, pela primeira vez em muitos anos, os juros de Portugal, estão a ser negociados, a 10 anos, abaixo de 4% . Veremos como termina o dia, mas essa é a medida do enorme esforço, com enorme dignidade, que uma nação soberana como Portugal fez para conseguir chegar aqui, terminar o seu programa recuperar a sua dignidade e honrar a sua história», declarou.

Portas acusou ainda o BE de desvalorizar o crescimento económico e de defender o isolamento e empobrecimento do país ao pugnar pela revogação do Tratado Orçamental, já que para o vice-primeiro-ministro isso seria o equivalente a uma decisão unilateral de saída do euro.

«Sim, é até possível superar esses 1,2% de crescimento, será mérito das empresas e dos trabalhadores, e pela primeira vez será possível fazer consolidação orçamental através de um crescimento virtuoso. É uma boa indicação para o país, mas, do alto da sua não modesta suficiência intelectual, o BE acha que crescer 1,2% são peanuts [amendoins]», disse.

O vice-primeiro-ministro considerou também «evidente» que o BE tem por alvo o PS quando propõe a revogação do tratado orçamental e dramatizou as consequências dessa decisão.

«O tratado orçamental foi aprovado nesta câmara pelos três partidos do chamado arco da governabilidade. O tratado orçamental é a condição para viver no euro, revogar o tratado orçamental é dizer às pessoas e aos mercados e às instituições que nós não queremos viver no euro», afirmou.

«A decisão unilateral de um país, revogar um tratado internacional e assumir a consequencia dessa revogação, que é não estar em condições de viver no euro, conduziria Portugal exatamente ao contrário da visão do mundo que o Bloco de Esquerda proclama. Conduziria Portugal ao isolamento, conduziria Portugal à autarcia, conduziria Portugal a maior pobreza, conduziria Portugal a maior restrição», defendeu.