O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, defendeu esta segunda-feira que a OGMA «teria soçobrado» se não tivesse sido privatizada há dez anos e é atualmente «um pilar muito grande do crescimento» da Embraer no continente europeu.

As palavras do vice-primeiro-ministro foram proferidas durante a cerimónia de comemoração dos 10 anos da privatização da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal S.A., em Alverca, num discurso que durou cerca de meia hora.

Depois dos discursos dos presidentes da Embraer, da OGMA e do embaixador do Brasil em Lisboa, Paulo Portas confessou-se «emocionado» e quis deixar «um testemunho pessoal» do processo de privatização da empresa (hoje detida pela Embraer em 65 por cento), que conduziu quando era ministro da Defesa.

O governante contou estar «há poucas semanas» à frente daquele ministério quando lhe foi apresentada a situação de rutura financeira da empresa e que o caminho decidido foi «assumir um modelo não apenas de restruturação, mas de privatização, em que o Estado estivesse presente, mas com parceiros internacionais para apanhar o voo da globalização».

«A OGMA continua a ser uma referência de qualidade para gigantes da aviação que sabem avaliar o que é qualidade, continua a prestar serviços ao Estado numa área de soberania e vende os seus serviços junto de outras forças aéreas representantes de outras soberanias», afirmou.

«Se tivesse sido o Estado a investir haveria sempre um bom motivo qualquer ligado às crises financeiras para que o Estado não conseguisse investir nesta empresa e esta empresa teria soçobrado. E seria inconcebível do ponto de vista do interesse nacional que uma capacidade instalada desde 1918, e capaz de se renovar, soçobrasse», acrescentou.

Portas quis ainda «agradecer a confiança, mesmo em momentos de dúvida, da maioria dos trabalhadores da OGMA": "Acho que fizemos bem e a opção certa, passaram dez anos, a OGMA mantém as suas certificações de qualidade para produzir e trabalhar para gigantes da aviação internacional, nada disso se perdeu, continua a prestar um serviço impecável à Força Aérea, nada disso se perdeu, continua a ser empresa de referência para reparar e manter equipamentos das forças aéreas europeias, africanas, latino americanas».

O vice-primeiro-ministro referiu ainda que a OGMA «representa hoje na aliança com a Embraer um dos sinais de vitalidade maior na relação entre Portugal e o Brasil» e que a opção por um «gigante brasileiro» da aviação «faz toda a diferença».

«Imaginem que a privatização tinha levado a OGMA para apenas uma das construtoras europeias, seríamos apenas mais um num círculos de atores com mais poder e força em termos internacionais do que Portugal», assinalou.

Depois de agradecer expressamente a Miguel Morais Leitão, atualmente seu secretário de Estado adjunto, por ter liderado a OGMA até à privatização, o governante continuou a defender esta opção e afirmou que «os números falam por si».

«Em 2005 o volume de negócios da empresa estava nos 117 milhões de euros, dez anos depois está perto dos 170 milhões, cresceu, há dez anos a OGMA exportava 77 milhões de euros, hoje em dia exporta o dobro, mais de 150 milhões de euros», notou.